20.4.06

Estou parado à tua espera. No fim da rua que ameaça fugir. Onde me dizem que não vens E nem me és.
Estou parado à tua espera. No fim de uma nuvem que ameaça chover. Onde me dizem que me faltas.
Por isso fui e dou-te adeus. Porque me deste a àgua que me afoga.
(Obrigada, Rui. Espero que me desculpes a ousadia...)
13.4.06
12.4.06
10.4.06
Pergunto-me:

Faça o que pensar sonhe o que desejar, nunca estarei saciada. Porque me custa pensar no que fazer e não durmo o suficiente para sonhar.
(Obrigada, Afonso.Outra vez...)7.4.06
5.4.06

Antes assim que nunca mais. Porque,
Fomos um para o outro o que não seríamos para ninguém.
O ódio penetrou-te o ADN.
O ódio consumiu-me como fogo.
Sou cinza e distracção.
E enquanto não te expurgar. Mais letras preencherão palavras.
Mais manias a minha consumação.(Obrigada, Afonso! Mais uma vez...)
3.4.06
One Of Us Cannot Be Wrong
I lit a thin green candle, to make you jealous of me.
But the room just filled up with mosquitos,
they heard that my body was free.
Then I took the dust of a long sleepless night
and I put it in your little shoe.
And then I confess that I tortured the dress
that you wore for the world to look through.
I showed my heart to the doctor: he said I just have to quit.
Then he wrote himself a prescription,
and your name was mentioned in it!
Then he locked himself in a library shelf
with the details of our honeymoon,
and I hear from the nurse that he's gotten much worse
and his practice is all in a ruin.
I heard of a saint who had loved you,
so I studied all night in his school.
He taught that the duty of lovers
is to tarnish the golden rule.
And just when I was sure that his teachings were pure
he drowned himself in the pool.
His body is gone but back here on the lawn
his spirit continues to drool.
An Eskimo showed me a movie
he'd recently taken of you:
the poor man could hardly stop shivering;
his lips and his fingers were blue.
I suppose that he froze when the wind took your clothes
and I guess he just never got warm.
But you stand there so nice, in your blizzard of ice,
oh please let me come into the storm.
Para suspirar com som, de preferência....
27.3.06
Carolina
“Quanto é o bilhete, por favor?”
“Para onde quer ir?”
“Até ao Carvalhido, passa lá, não passa?”
Com um aceno respondeu que era um Euro, retirou um bilhete do monte preparado e arranjado por um elástico de escritório, entregou-o e ficou à espera que ela contasse ou reunisse os trocos em moedas castanhas que se debatiam furiosas dentro da bolsa minúscula procurando alcançar a quantia exacta.
O autocarro finalmente seguiu. Sentou-se no único lugar à beira da janela entre um rapaz borbulhento e fanático de informática, tendência escondida atrás dos óculos grossos, as suíças mal cortadas, o olhar vago e as revistas debaixo do braço que denunciavam os conhecimentos de linguagens estranhas e binárias e de java e não de jade, e um senhor muito sozinho e esquecido, pela maneira desalinhada em que se apresentara provavelmente num café de juventude aos amigos mais velhos. Ou a ninguém. Os olhos não tinham o brilho que os olhos costumam ter. Eram de um brilho enevoado. As mãos haviam sido de um malandro ou de gente fina. Os dedos desse homem velho e esquecido eram de finura e candura, descobria-se uma pele que não fora viciada pelo trabalho físico ou agreste, porque as mãos ainda pareciam macias de quem nunca experimentou um calo. Mas, agora era só um velho esquecido num banco de dois lugares num autocarro que passava ao Carvalhido.
Enquanto o autocarro deslizava entre passadeiras de peões, semáforos intermitentes, mulheres grávidas nos passeios e adolescentes nas paragens, Carolina engolia o resto do café ainda mentalmente e percorria vezes sem contas as palavras repetidas durante o jantar que oferecera em sua casa na noite anterior a três amigos mais próximos.
Durante o jantar, que não fora breve mas antes prolongado, inspiraram-se em rios tintos maduros do Douro e a voz de um dos presentes profetizou-lhe a solidão por afastamento imposto e consciente. Nunca perante os vidros brilhantes da cristaleira da sala que vez alguma conteve cristais e até serve de estante das relíquias que adquiriu ao longo dos anos, Carolina suspirara diante as palavras e ataques que lhe dedicaram nessa noite de jantar servido com entradas, direito a sobremesa e café com cigarrilhas. Vergou e inclinou a cabeça silenciosa à má disposição de quem se havia lembrado de lhe atirar culpas dos milhares relacionamentos que nunca soube manter nem com os amigos, apesar de se ter admitido que era por isso que as amizades eram fáceis de construir ao lado dela. Era fácil transpirar um ai de leve paixão por aquele sorriso magro, de linhas rectas e sinceras, porque Carolina estava sempre presente, mesmo quando desaparecia afundando-se ou dissolvendo-se na multidão e nunca mais ninguém a via, até ela decidir voltar. Carolina nunca quis dar razão aos amigos que a assombraram na noite anterior, porque foram todos vítimas da sua presença. Todos haviam querido ser heróis nos braços daquela figura frágil e esguia. Por isso decidira que não tinham razão e debateu com eles a noite toda, até que foram embora. O sono que não entrava bloqueado por essas palavras que ainda a seguiam quando se esqueceu do troco do café, quando se sentou no autocarro que a conduzia.
Muitos anos já teria assim? Pareciam tão poucos comparativamente a todo que ela ainda queria fazer e que só por si demorariam tanto tempo que ainda não estava de certeza na altura de pensar que a necessidade de assentar já não faz parte da pressão social imposta às mulheres, mas eram os próprios amigos, companheiros de ideais e de revoluções e independências que a sentiam despegada de companhia e de planos que a carregavam com acusações. Planos. Que planos, quando se sentia demasiado irresponsável para ter a seu cargo a missão de fazer um plano? Os planos são coisas projectadas e pensadas e que são feitos para não falharem, poderia lá ela dedicar-se a que plano fosse quando não tinha preparação de capitão ou comandante para ter a responsabilidade do rumo que as coisas deveriam tomar. Arre! E essa manhã custou imenso a passar. Porque começou na madrugada do fim do jantar e duraria provavelmente até que lhe caísse a Rita, colega do escritório no colo a chorar que o marido ou namorado - porque Carolina não tinha a certeza, nem eles, se eram casados ou não - era um bruto e não lhe ligava nenhuma e preferia ficar a jogar “play station” com os amigos e essas coisas todas que os homens insensíveis ou distraídos são constantemente acusados de fazer.
Aí Carolina soltou um alívio quando a Rita chegou com os olhos inchados do choro de mais uma discussão e pode então, Carolina esquecer que andara barata tonta e nem dormira por causa dos amigos alarmistas e ciumentos da vida descomprometida que levava. Ai, que o ciúme é uma coisa muito feia!
22.3.06

Regresso. De um regresso nunca definitivo.Regresso a casa, de vez. Por altura do galo cantar estarei adormecido sem névoa.
À cidade das coisas certas. Longe das ilusões. Perto, só dos sonhos.
(Obrigada, Afonso.)
21.3.06
20.3.06
17.3.06
Madrugada

Queria dizer-te que o teu mundo me fascina, ou o quanto me repele. Não compreendo sequer o porquê. Mas, posso fazer uma auto-análise à minha personalidade transviada e delirante. Quero acreditar que sei as razões, porque no fundo da minha loucura, o meu cérebro é racionalista e tem que dissecar os porquês, nunca dissociados dos valores mais inatos em que fui concebida e educada.
Porque sei e acredito.
Acredito que se um dia conseguissem adivinhar e perceber como sou chegariam à mesma conclusão científica e racional que explica, racional e cientificamente os meus porquês.
A conclusão será óbvia e curta.
Mas, decerto fica para outra vez. Porque me dá mais gozo falar com palavras que são o código dos meus segredos, mas são apenas delírios para quem as lê. É quase um conforto.
Quereria dizer-te que o meu mundo é estranho porque o faço. Estranho. Mas tão absurdamente simples, e para que ninguém o perceba complico! Ufa! Um alívio que é mentira mas, reconfortante.
Quereria dizer-te o quão é fácil apreciar a tua maneira de suspirar e o sorriso das tuas feromonas… Quereria dizer-te o quão fácil é ficar inspirada pelo teu jeitinho de adormecer. Dele, memória vã.
É um vento que sopra lá fora e quase desmaio. De uma infelicidade amargurada. Mas doce.
E a pose de anjinho, com um piscar no olho que faz a tentação do teu olhar ser diabólico.
E é chegar à conclusão que quando te apercebes que afinal já não compreendes o que se passa à tua volta e quase imediatamente essa linha de raciocínio tem que se transportar para o facto que também, e assim, afinal não te conheces. Oh, havia tanto que te queria dizer, mas não posso, porque não saberia como.
(Mais uma vez. Obrigada, Jorge.)
13.3.06
Gonçalo
Os dias demoram-se quando a demora das nossas decisões tardam em surgir. Um dia e depois outro e mais outro e não que baste só o pensar no que se poderá fazer. Não basta apenas achar que se tem capacidade para fazer quando é necessário fazê-lo.
Depois de descobrir que não tinha mais leite no fundo do pacote já defunto decidiu que o café da manhã lhe sabia bem melhor no tasco do Sr. Jacinto, junto à estação.
E foi com estas manhãs que o Gonçalo se habituou ao mimo dos pardais no passeio e agora tira-lhes fotos com o telemóvel que é máquina de filmar e de gravar som e de consultar a internet e que também dá para fazer chamadas.
Esquece porque é que gosta tanto dos pardais e da senhora que lhes dá pão.
Tinha três anos de idade por fazer e recorda das mãos do avô os passeios que davam no centro da cidade e o que tinha de fugir das pombas que o cobriam quando o avô o cercava de milho tornando-se um isco totalmente acidental das milhares ou só centenas de pombas que caiam atraídas com o som do cereal a bater na calçada escorregando pelo Gonçalo abaixo que só queria era fugir porque as pombas eram muitas. Enquanto isso, o avô ria orgulhoso da estátua de penas agitadas em que se tornara o neto. Deve ser por isso que hoje Gonçalo se fixa nos pequenos pardais que não são tão violentos, mais modestos e pouco rabugentos, assim como a mão doce da velhinha com o puxo no alto da nuca que não alimenta pombas, mas um bando de pardais à solta, como se estivessem em Paris, numa qualquer esplanada sobre o Sena. Com as vozes melódicas da brisa de fim de tarde a anunciar um momento de arte ou sublimação com o chilrear contente dos bandos. À solta. E porque é pão e não milho...

Saudades que tenho tuas.
Palavras que quero tuas.
Avanço sem ver.
Corro sem crer.
Descanso na alma do ar.
Morro sem fôlego.
(Obrigada, Jorge. Pelas fotos que insisto em roubar-te e pô-las aqui.
10.3.06
Cinema Batalha
Sempre gostei daquele cinema. Lá, vi os primeiros filmes. Lá, dei a mão ao primeiro namorado. E seja porque razão sempre gostei daquele cinema.
Por isso, agora fico à espera. Da programação. Da remodelação.
De finalmente poder passear naquela zona sem voltas no estômago.
9.3.06
... e aproveito para informar que:
"O Clube Literário do Porto tem a honra de convidar Vª Exª a estar presente na Inauguração da Exposição de Fotografia “Triângulo” de Jorge Garcia Pereira que terá lugar no dia 10 de Março, pelas 21.30 h."
A não perder!
Ahhhh, como muito bem visto por uma leitora atenta , faltou incluir a morada... Acontece, acontece....
É assim: Clube Literário do Porto: Rua Nova da Alfândega, 22. 4050-430 Porto
Passam os dias lustrosos que lhe anunciam chuva.Ela toca piano, irritantemente.
Hoje o dia será igual, certamente.
E como uma luz que treme à tua chegada
Assim, eu erro, gramaticalmente.
(foto de A.)
Pronto! Está quase!
Agora, devagarinho, vou adicionando os links todos que aqui a Susie gosta e recomenda!
Por isso, tenham paciência...
8.3.06
1.3.06
suspiro (III)

Altero só agora este "post" para o deixar completo e acabadinho. A emoção de receber a foto que o adorna levou-me à precipitação de o deixar vazio mas, não o pude deixar assim. Porque, o amigo fotógrafo é-me muito querido, de longias histórias e recordações. E porque esse meu amigo deu-me notícias bonitas, como um sol anunciado. Parabéns, Mathieu!
(foto por Mathieu Neuforge)
27.2.06
22.2.06
17.2.06
suspiro (II)
para tu libertad bastan mis alas.
Desde mi boca llegará hasta el cielo
lo que estaba dormido sobre tu alma.
Es en ti la ilusión de cada día.
Llegas como el rocío a las corolas.
Socavas el horizonte con tu ausencia.
Eternamente en fuga como la ola.
He dicho que cantabas en el viento
como los pinos y como los mástiles.
Como ellos eres alta y taciturna.
Y entristeces de pronto, como un viaje.
Acogedora como un viejo camino.
Te pueblan ecos y voces nostálgicas.
Yo desperté y a veces emigran y huyen
pájaros que dormían en tu alma.
Veinte poemas de amor
y una canción desesperada
por Pablo Neruda
16.2.06
Ainda bem que o Engº Sócrates descobriu 150.000 empregos para atribuir!
Ainda bem que o Engº Sócrates acha que o seu Ministro dos Negócios Estrangeiros anda a fazer tudo bem!
Pena é que as escolas tenham ADSL e não tenham computadores a funcionar(mas podem sempre construir barquinhos com as carcaças dos computadores e passearem-se pelas salas de água inundadas por falta de tectos...)!
Pena é que o desemprego esteja aumentar à velocidade da sua inspiração(não é asmático, pois não, Sr. Engº? Mas também se for já deve ter ouvido das famosas Termas de Jurema. Sempre não corre tantos riscos como a esquiar...)!
Pena é que o Sr. Freitas do Amaral ache que o holocausto nunca existiu(estou a seguir um raciocínio de lógica, muito conhecido como a "Lógica da Batata", retórica muito apreciada e praticada pelo actual executivo!!)mas, deve estar contente com o seu amigo iraniano. Haja alegria!
Pena é que a chacota em que se está a tornar este país não possa ser censurada!E que os nossos políticos não possam ser censurados!
14.2.06
10.2.06
Proverbs of Hell
The pride of the peacock is the glory of God.
The lust of the goat is the bounty of God.
The wrath of the lion is the wisdom of God.
The nakedness of woman is the work of God.
Excess of sorrow laughs. Excess of joy weeps.
The roaring of lions, the howling of wolves, the raging of the stormy sea, and the destructive sword, are portions of eternity too great for the eye of man.
The fox condemns the trap, not himself.
Joys impregnate. Sorrows bring forth.
Let man wear the fell of the lion, woman the fleece of the sheep.
The bird a nest, the spider a web, man friendship.
The selfish smiling fool, & the sullen frowning fool, shall be both thought wise, that they may be a rod.
What is now proved was once, only imagin'd.
The rat, the mouse, the fox, the rabbit: watch the roots; the lion, the tyger, the horse, the elephant, watch the fruits.
The cistern contains; the fountain overflows.
One thought, fills immensity.
Always be ready to speak your mind, and a base man will avoid you.
Every thing possible to be believ'd is an image of truth.
The eagle never lost so much time, as when he submitted to learn of the crow.
William Blake
8.2.06
6.2.06
esperas
3.2.06
2.2.06
30.1.06
one way

Copos partidos e o vento entrou depressa naquela garrafa. Que ficou tão esquecida quanto vazia.
Olhou para trás e não viu nada. As lágrimas ocuparam o lugar dos sorrisos.
A garrafa jazia. O copo partido pela surpresa que nem teve tempo de ser anunciada estragando a surpresa que a surpresa sempre causa. Restando os cacos dos copos.
É o adeus anunciado.
24.1.06
um suspiro
levar a vida
Pois chorando eu vi
a mocidade perdida
Finda a tempestade
O sol nascerá
Finda esta saudade
Hei de ter outro
alguém para amar
Elis Regina
by Cartola / Elton Medeiros
23.1.06
20.1.06
11.1.06
oração
Fecharia os olhos e de joelhos confessaria as suas mágoas ao homem simpático de veste católica. Sem lhe ver a cara e sem ser vista. Agradeceria o poder falar do sufoco no coração.
Mas os passos nunca se dirigiram para a casa de oração. Nunca sentiu o alívio de palavras soltas no cubículo de madeira rendada à pressa de algumas avé marias e pais nosso. E o mal ficou atravessado na garganta e algures entre aortas. Venosas e arteriais.
Como um espelho para onde recusa o olhar, bastando-lhe a dor que sente.
Nunca vai saber explicar. Como sabe explicar que bits são diferentes de bytes.
Porque o seu problema não é moral nem social. É da tristeza profunda que não tem forças para compreender.
O que a torna sonolenta de vida.
Um beijo de mim para ti, miúda.
6.1.06
Ano Novo...
Acho que este ano vai ser melhor qualquer coisinha....
20.12.05
25.11.05
A pedido de várias famílias....
Se calhar, foi o frio que me assustou.
Gosto pouco de pontos de exclamação.
Gosto pouco de pré-campanhas presidenciais anunciadas como um castigo para o Natal. Que se presume mais uma vez perdido para os aumentos de taxas de juro e de TGVês e aumentos de electricidade e crucifixos amaldiçoados pela religião comunista...
Arghhhhh!
Lamento que o próximo ano não traga melhorias anunciadas em sapatinho de S. João da Madeira...
Como odeio o politicamente correcto.
8.11.05
28.10.05
As certezas esfumaram-se.
Agora espera pacientemente que os sinos da igreja clamem aleluias e que os autocarros não se atrasem muito. Não tem pressas mas, tem desejos de sair daquele lugar. Pela necessidade de rapidez. A vida dela esteve parada muito tempo sem que tivesse oportunidade de perceber.
Tomaram um copo num bar perdido da cidade. Fumaram muitos cigarros. E ela só tinha um nó no pescoço, perto do coração e do vómito que conduzia às lágrimas que corajosamente não verteu. Num sopro de razão não tinha razões para chorar. A despedida era dela. Pelo mal que lhe faz.
Mas seria essa a dificuldade que sentia na digestão? A incapacidade de regressar do estado de alienabilidade racional a que se deixara comprometer. Que a punha num estado de incompreensão do seu sistema neuro-simpático, e que não lhe permitia apreciar a bebida entornada no copo. Acompanhada de cigarros. Muitos, que lhe secavam a garganta e que lhe provocavam a tosse.
Não percebia. A dependência da prisão emocional a que se submetera.
Mas pronto! Foi desta! Terá mesmo sido? Já não promete. Nada. Espera só que o autocarro não se atrase muito e a leve dali. Com o vento e a chuva à mistura. Espera poder enterrar-se num banho quente sem espuma e num copo doce de mel e chá.
E que os dias que se seguem sejam muitos e rápidos. Para rapidamente esquecer-se de que foi outra pessoa que não sabia esconder dentro de si. E de quem nunca gostou. Desde a primeira vez.
Procurou respostas para o desconforto tímido e sufocante que sentia desde o início em sítios de respostas dúbias. Procurou o conforto em teorias de Leis Universais e em segredos naturais, escondidos em rochas e nas estrelas e no sussurro de vozes antigas. Só conseguiu suspiros. Escondia-se assim da pessoa que era. E de quem não gostava de ser. E não resultou.
A vida passava-lhe entre os cabelos sem corte e o olhar sem sorriso. E estava cansada.
Apesar dos copos que beberam, e de esperar o autocarro que a leve para longe até ao banho quente com mel e chá, sabe bem que o sorriso não lhe voltará tão facilmente. Aquela pessoa que de si se apossou vai ficar por uns tempos. Porque não a compreende. Não a consegue explicar. E por isso não promete. Porque já o fez muitas vezes.
Vai esperar. Resta-lhe esperar. Que venha o autocarro. Que os dias passem rápidos para não dar por eles. E talvez um dia volte a poder sentar-se a beber copos com cigarros e o sol brilhe mesmo lá fora.
27.10.05
O governo finalmente parece tomar medidas que careciam ser tomadas há muito. Terminar com os previlégios dos funcionários publicos. De aplaudir. Sem comentários.
Mas depois...dá nisto !!
E será que isto é para financiar o verdadeiro aborto?
Assim desisto. Ou alguém vem cá por ordem nisto...ou...ou........
14.10.05
5.10.05
30.9.05
28.9.05
E na continuação do divagar que são os dias. Devem passar devagar, quando passam galopantes, sem sequer que lhes sinta paladar ou tacto. Entre os dedos escapam grãos de dias como areias.
Faltando canções de magia que suspenda o sol num fio de aço e aquela nuvem do canto esquerdo da minha tela que proteja aquele bocadinho de sombra. Só para quando me maçar muito. O sol. Lá ao fundo, a brisa paralisada saída da voz de Zeus, agora calmo. Por favor, dócil.
Assim, o único aroma permitido seria o das férias. Plantas verdes do Alentejo, a noite silenciosa de Bragança. O bater das asas de um pássaro qualquer português. Férias. Mesmo cá dentro. Com trago a coentros e MAR da serra.
Em histórias desiguais destronei a má rainha que me queria ver destruída, destronada desterrada, enterrada? Nos meus sonhos, os cabelos meus eram brilho e a minha beleza segurança de convicções. Seguras. Apertadas e confiáveis. As vozes não choravam. Sorriam, sorrindo a alguém forte por eles e por elas sem nunca cansar e tão bem assumir o protector papel de guardiã de vidas aos milhares de desesperança porque é sempre tão mais fácil pedir que alguém tome conta de nós, deixando-nos a liberdade de brincar no parque e criarmos aventuras às dezenas, mas sermos cuidados e alimentados e aquecidos e acariciados.
Obrigados.
N.A.: pedido de desculpas antecipado por me fazer repetitiva!
26.9.05
porque estou um bocadinho lamechas....
when the sun would fill the sky
remember how we used to feel
those days would never end
those days would never end
remember how it used to be
when the stars would fill the sky
remember how we used to dream
those nights would never end
those nights would never end
it was the sweetness of your skin
it was the hope of all we might have been
that filled me with the hope to wish
impossible things
to wish impossible things
but now the sun shines cold
and all the sky is grey
the stars are dimmed by clouds and tears
and all i wish
is gone away
all i wish
is gone away
all i wish
is gone away
"To Wish Impossible Things"
Thank you, Robert!
15.9.05
12.9.05
era mesmo isto que eu queria dizer (obrigada, Ju!)
Could you give me a small part of yourself
I'm only asking for the tiniest part
Just enough to get me from here to there
Could you give me something
Anything at all
I'll accept whatever it is
Could you just put your hand on my head
Could you brush against my arm
Could you just come near enough
So I could feel as though you might be able to hold me
Could you touch me with your voice
Blow your breath in my direction
Is it all right if I look straight into your face
Could I just walk behind you for a little while
Would you let me follow you at a distance
If I had anything of value I'd gladly give it to you
If there's anything of me you want just take it
But don't think I'm this way with everybody
I almost never come to this
In fact usually it's the other way around
There's lots of people
Who would love to even have a conversation with me
Who even ask me if they can walk behind me
So don't get any ideas that I'm completely alone
Because I'm not
In fact you're the one who looks like you could use a little company
Where do you get off thinking you have anything to give me anyway
I have everything I need
And what I don't have I know where to get it
Any time I want
In the middle of the night
In the middle of the afternoon
Five o'clock in the morning
In fact I'm wasting my time right now
Just talking to you
por Sam Sheppard in "Savage Love"
23.8.05
...
Estou então, sentada nas escadas que dão às portas fechadas. Uma por mim. A que me não leva a sítio nenhum. De onde fugi. A outra, que me devolverá o que ainda não saberei, está fechada. Por outros. Que não me conhecem, a quem desconheço, mas que neste preciso momento que enraivecem de uma forma nunca sentida. Como estou sentada. Nas escadas.
Deixei que a luz se apagasse e não insisto para que se acenda. Ilumina a entrada, a luz do candeeiro do passeio. Essa luz que indica que o caminho é mesmo por ali e que não há que enganar.
Não me sentiria tão frustrada se não fossem três da manhã e a restarem-me cinco miseráveis horas de sono, que não contava em passar em frente ao passeio dentro de um prédio que não conheço, fechado por mim de um lado, e cerrado quase enterrado por outro lado por outros que não me conhecem!
Forma-se um nó em torno do meu pescoço. Como se uma corda pressionada por alguém que não sabe quem sou, mas que se ri. Por me ter encerrado entre uma porta que é de vidro e tem a rua por saída e outra porta de madeira que eu fechei por me encerrar de tristeza.
Sinto um sono profundo de amargura. Apercebo-me que naquele prédio não há noctívagos das noites agitadas, dos bares de gente e de estudantes ou só meliantes. É um prédio de gente que acordou anos a fio muito cedo e que agora se cansa pelo tempo adormecendo entre o jornal da noite e a novela.
Começo por desesperar.
E depois continuo a desesperar, desta vez, pela vergonha que sinto na situação em que me coloquei.
E depois de me sentir desesperada sinto-me cansada de estar tão cansada e sem paciência e cheia de vergonha e até uma barata que passa ao meu lado fecha os olhos pequenas de vergonha por mim, que lhe incomodo os passos nocturnos e escondidos das desinfecções mensais a que está sujeito o prédio. Anunciam as circulares da “empresa do condomínio, Lda.”, pregadas numa parede velha como os velhos que são os caros condóminos que me fecharam à chave num prédio com escadas para a rua numa porta de vidro.
E agora, não sinto nem vergonha nem desespero. Só um cansaço. Um cansaço de que já não me recordava. Nem em que circunstâncias o senti, para o sentir dessa maneira. Certo, é o cansaço profundo. De sentir que não sinto os músculos nem os pensamentos.
Volto então para trás. Acordo a campainha da porta de madeira que deixei nas minhas costas. Ela abre-se e eu enfio-me na cama. Quero dormir.
Amanhã, vê-se.
16.8.05
Outono forçado
Entrou Portugal num Outono forçado que cheira a cinza e a restos. A paisagem tem tons dourados de Outono sombrio. As folhas que sobraram à força do fogo, caiem ao sabor de uma brisa quente de rescaldo. A terra é negra. Antes verde. São os restos do que foram encostas verdes.
Em baixo, o rio passa passivo e triste. Com barcos de turistas. Esses só sentiram o restou do cheiro dos pinheiros mentolados por eucaliptos, como se a Natureza tivesse esquecido o menu ao lume. Queimado.
4.8.05
1.8.05
The Simple Truth (I)
Ota e TGV
CGD e BES
PT e o PT
e depois admiram-se que ninguém perceba nada!!
18.7.05
a-m-i-g-o-s
Eu às vezes (confesso) que também me esqueço de coisas dos amigos.
Um jantar que estava marcado, um cd que ficou por gravar, um livro que espera ser devolvido.
Mas não é por mal.
Depois há aqueles amigos com quem já não falámos há muiitos anos e com quem perdemos o contacto e com quem nunca se chegou a marcar um jantar, prometer gravar um cd ou emprestar um livro.
Mas que depois reencontramos. Por magia.
E descobrimos que os amigos NUNCA se esquecem! Nunca!
Obrigada N.
(Ainda somos amigos, não somos?)
15.7.05
6.7.05
menino...
Se aquele menino chora é pelas lágrimas que broto eu. Não te conheço menino.
As tuas histórias nao sei contar.
Reconheço um menino. Mas sem a candura. Reconheço um traquinas mas sem a meiguice da troca de cromos.
Vejo que não vejo porque não me deixas ver nada. Sei o que sei por ti.
E faço minha a dor que sei que carregas mas não sei qual é.
Não sei porque a carrego nem porque me faço carregar.
És um riso aberto e marcado.
Mas com essência triste que deixas esconder. Restando-me a adivinha.
Adivinho que nem tu saibas que confusão de seres tu és.
És um menino?
Se calhar és demasiado menino que tomo nos meus braços e não consigo largar.
Porque já não é sobre ti, menino. É por mim.
No fundo, menino, acho que te pese a condição social de não poderes ser menino.
Sê menino.
Não queiras ser adulto das coisas más.
Porque, menino, se lutas para não sentir deixas de ser menino. Se lutas para não sentir como um menino que és é-te mais difícil ser feliz. Feliz como já foste no tempo em que te deixavas ser o menino que és.
23.6.05
2.6.05
É que há mentiras muito doces!!
A bondade nasce connosco, só pode. Não se podem ensinar sentimentos de ternura. Não se pode ensinar que a bondade é a que sai do coração e não a que fica bem em bailes de beneficência. O Mário é verdadeiramente verdadeiro. A sua pureza é pura. Verdade. De si.
Acho que nunca conheci ninguém assim. Verdadeiramente intocado pelos vícios, incorrompido de humanidade. No entanto, diz ele, frequenta o mesmo mundo do que eu. Como foi possível? Isso pergunto eu!
Achava eu, erradamente, que poucos seres humanos me fariam surpresa. O Mário surpreende-me, todos os dias.
Afinal, aquilo que é inato e ainda não foi vilmente destruído pelas nossas teias de aranhas predadoras, quando mantido é lindo. O Mário é uma pessoa linda. Não foi o que ele passou que faz dele lindo. Pelo contrário, difícil conceber.
Não faço ideia do que as pessoas realmente são capazes. O Mário deveria ser um daqueles casos clássicos de amargura. O seu fel é no entanto mel.
Mimo (I)
De mansinho, sem o sentir
Acolhe-me debaixo de um dos seus braços.
Reviro o olhar para não o ver nem o saber.
Gosto que me embale devagar, e
Tropeçar quando ele me leva.
Algo só pode estar mal quando a minha vontade imensa é fugir muito depressa e ir esconder-me agachadinha .
E quente. Porque estou com frio.
Leva-me aos saltinhos.
Traz-me devagarinho.
Aos sentidos cobertos
De nuvens azuis.Adormeço. Finalmente
30.5.05
25.5.05
23.5.05
html?!?
E pronto....
20.5.05
Mas nem sei se vale a pena... Visitando blogs de referência (para mim, pelo menos) e outros menos referenciados fico incrédula perante o panorama: Em baixo ou em cima de comentários inteligentes, assertivos, meditativos, provocatórios ou só a título de desabafo sobre o buraco negro em que se afunda o país, a discussão principal é ou o benfica ou o sporting ou o Ricardo ou o raio que os parta a todos!!
Sinceramente, não há pachorra! E como já alguém muito mais iluminado que eu disse : "...temos o país que merecemos!" E temos! Que interessam os despachos mal despachados, as leis feitas para uns, o défice que ninguém sabe avaliar, a justiça feita em farrapos, a "desconstituição europeia", e milhares de outros problemas que....?... Enfim...
O pessoal quer é saber da bola.
Não interessa nada, nem sequer faz confusão que o mesmo senhor seja, ao mesmo tempo, presidente da Liga de Clubes (ou de futebol); presidente de uma autarquia ( e não é desta que eu estou a falar!); presidente da Metro e presidente de mais sei lá o quê!! E ninguém questiona! E ninguém quer saber! Então porque raio me havia eu de preocupar??
Mais uma vez.... Eu quero é emigrar!!!
Mãe, não te preocupes!!!!
15.4.05
6.4.05
Porque eu mereço!!
5.4.05
Para ouvir uma amostra.... E já sabem que eu desisti de tentar fazer links bonitos.
http://www.omeumercedes.com
Para um excelente tratamento musical:
Candlelight and all things bright come into our room
Candlelight and all things bright come into our room
Now now the winter glows
See the leaves beneath the trees come into our room
See the leaves beneath the trees come into our room
Now now the winter glows
Now now the winter glows
It's wonderful, no it's wonderful with you
Snug as bugs inside your love come into our room
Snug as bugs inside your love come into our room
Now now the winter glows
Now now the winter glows
Now now the winter glows
It's wonderful, no it's wonderful with you
Fingerbobs has wolfed the lot come into our room
Fingerbobs has wolfed the lot come into our room
Now now the winter glows
Now now the winter glows
Now now the winter glows
It's wonderful, no it's wonderful with you
Come into your room
Come into your room
Come into your room
Come into your room
Come into your room
Come into your room
Clinic - Come into our room
4.4.05
28.3.05
23.3.05
...
Sente-se o que se sente quando não se
Senta indiferente.
Senta-se o que não se levanta
Nem uma só emoção que fique
Por sentar ou por sentir.
Levanta-se o que se sentou e
Que não sentiu a diferença.
21.3.05
17.3.05
Oh, pá! Ajudem o Toby!!!
E só para garantir que vocês vão ajudar o Toby: www.savetoby.com
4.3.05
Tenho andado sem ideias. A falta de dinheiro não ajuda mesmo nada!
3.3.05
Parque da Cidade
Uma tarde no jardim. O vento do Sol e os patos. Algumas vozes grasnam gaivotas e o mar que não lhes sente a falta fica-se. Indiferente.
O casal alimenta o casal de patos. Sob um espelho de água que é um lago de patos. Com patos e o vento do frio que se quer em Sol.
O pão e o bolo alimenta a distração dos patos da sua função de patos e os ferros que se soldam à distância completam o silêncio do parque.
Ela reclama que um pato está louco. O pato pata nada para lá. Onde esquece que nunca deixou o pato pato.
O casal recolhe-se sem mais pão ou bolo.
E o Sol beija novamente o lago de patos. O vento sorri ao frio e os patos esqueceram. E...
28.2.05
miau.
Quero ser um gato para lamber as minhas feridas. Miar porque me apetece. E sentir o calor da lareira nas costas.
Sem nunca me preocupar. E não me parecer com a CatWoman!
25.2.05
22.2.05
18.2.05
Confissões
O País, o nosso, anda à deriva e ninguém quer saber!
Irrita-me profundamente saber que as pessoas vão votar em quem vão votar pelar razões erradas.
A saber:
PS de Sócrates:
"Pois, é a única alternativa, porque o PSD/PP portou -se muito mal!! Muito mal! E o Sócrates nem é mau de todo, quer dizer, o Santana é tão mau!"
Nem sequer me vou pronunciar acerca disto. A memória colectiva é tão curta que não deixou registos e a ajuda da comunicação social foi imprescindível para pintar o discurso oco e fantochado de uma forma bonita. Discurso fast-food!
PSD de Santana:
"Oh pá, o PSD é o PSD e o Cavaco tem que por ordem nisto!"
As pessoas têm preguiça mental. De fazer um esforço para questionarem certas opções, certos discursos. É pena! O Cavaco está-se a marimbar! Que bom para ele!
Bloco de Esquerda de Louçã:
"Olha, sinceramente acho que são os únicos que dizem o que está certo! Tipo, a cena do aborto não pode ficar assim! E o sigílio bancário tem que andar prá frente!"
Não, isto eu recuso-me mesmo a compreender! Não há esforço possível para perceber o que dá tanta força ao discurso de Louçã e do Bloco. NUNCA ouvi uma proposta de resolução dos problemas do País a este partido. Se se discute o Orçamento de Estado trazem as bandeiras do sigílio fiscal e do Aborto. Se se discute o problema da Segurança Social berram que é uma injustiça cortarem os apoios, mas nunca dizem onde se devem fazer as alterações apresentando um modelo de gestão e financiamento e nunca esquecem a questão do aborto! Se se fala na Economia a culpa é da Globalização e o desemprego e o aborto! E o desemprego! Mas se pretende fixar as indústrias estrangeiras em Portugal volta a impaciência-para-ouvir-as-alarvidades-do-costume-lá-estão-eles-a-ceder-ao-bicho-mau-do-Capitalismo!! Sinceramente, não os consigo perceber nem o que querem! É puro terrorismo político!!! Confundem o público contestando as medidas atacando com problemas que são graves (é certo), mas que no momento mediato à acção são pouco relevantes! Desculpem, mas estou entusiasmada! Ouvi o seguinte esta semana: Numa escola de Teatro um aluno questionava o Sr. Louçã do como estaria Portugal daqui a uns anos, seguindo-se a política do Bloco. A resposta foi clara: "Como é que acha que fica Portugal mais bem servido? Com mais um submarino? Ou com bom cinema português?", seguido do olhar revelador... Foi aqui que eu caí para o lado. Literalmente! E a comunicação social e gente influente dá ouvidos a isto!! Amarguro.
CDU de Jerónimo:
"E o Código de Trabalho?!? Alguém tem que acabar com aquilo! E o Jerónimo acredita no que defende!"
O meu comentário: oh, gente! Querem trabalho, não querem? Sabem que se não houver empresas competitivas não há trabalho, certo!? Que os patrões dependem tanto dos funcionários como estes dos patrões!? Então, leiam a lei s.f.f. e pensem! Só um bocadinho... Não estou a sugerir que a lei seja perfeita, longe disso, mas vamos com calma!
CDS de Portas:
Aqui ressalvo: As razões das pessoas que conheço que vão votar este partido são aquelas que me vão fazer ir à Junta de Freguesia e apresentar o meu cartão de eleitor e não votar em branco!
boa sorte...
Há coisas que por não terem começado bem terminarão muito mal.
Eleições legislativas dia 20 de Fevereiro de 2005





























