
22.8.06
Portugal no seu melhor (I)
21.8.06
11.8.06
3.8.06
1.8.06

A calmia está para rebentar.
Perdi-me longe do teu olhar e finalmente esqueci-me.
Nas cascas das laranjas amargas
Não vás assim, tão perdida.
Não corras assim, tão sentimentalmente.
Porque se achas que já são horas....
Já foram. Muitas.
A seguir os minutos.
Desenhaste formas de barcos
E ainda bem que chove.
E deixaste-os escorrer
Por um rio que ja não sobe.
(thanks, again. your pics are great. dear, Mat.)
31.7.06

Apercebo-me que a minha vida tomou um rumo que não reconheço como um percurso que poderia ser o meu. Um estado de embriaguez entorpece-me o espírito que já é irrequieto. Para que as voltas que dou voltando ao mesmo lugar mas noutra plataforma. Distorcida.
A minha realidade compõe-se com os factos que me deveriam ser novos mas, parecem instalados como se estivessem lá desde sempre, com os vícios que são meus. E assim, mil e umas vezes mais olho-me ao espelho e não me reconheço e cada vez mais o meu rosto faz sentido para a imagem que tinha de mim, porque as minhas preocupações são outras que nunca pensei serem as que tenho. É com se estivesse noutro sítio quando chega a altura de fazer opções e quando voltas e olhas e…
Nada acontece, então. E fico ou deixo-me ficar. Porque as colinas estarão para sempre lá e a areia e o vento e o mar e os rios e as flores e as árvores. E os pássaros que me irritam de manhã.
Durmo sonolentamente. E não acordo. Porque tenho medo que seja um sonho.
E afinal, a manhã já passou. Alívio contido. Porque estou de férias.
(A pedido de numerosas famílias, foi o post possível sobre férias...ai... Mais uma vez, obrigada, Afonso! )
17.7.06
14.7.06
Há dias em que acordo assim.
7.7.06
Saiu de casa apressado. Pegou na mala de ferramentas e abalou. Diziam que era bom moço e muito bom trabalhador. Diziam que era amigo de ajudar mas, não falava muito. Era pouco dado à bola e aos copos. Alinhava na malha, de quando em vez. O que gostava mesmo era de ficar sentado na borda do passeio a traulitar canções e a inventar histórias sobre os pássaros. Os pássaros que lhe enchiam a retina e os ouvidos criados numa serra pequenina. Abalou para a fábrica. porque ía muito atrasado. Dizem que adormecera, o que era estranho, porque o rapaz deitava-se cedo. Nem ao café vinha. Só ao Sábado. Dizem que nunca lhe ouviram suspiros pelo totoloto ou pela partida para a cidade. Que gostava muito disto. Que não largava isto por nada. Era um rapaz muito jeitoso. Trabalhador...e humilde, muito humilde. Abalou. De vez. Mas, que não pode ter sido, que algo lhe aconteceu, será que foi assaltado pelo caminho? A Guarda não encontrou nada. Nem a família pode responder porque não sabe. Mas ainda ficou de passar cá a semana passada para me arranjar a porta do galinheiro. E ele nunca faltava. Ai que mundo este, Meu Deus...(mérci bien, chére Mathieu Neuforge)
30.6.06
Didn´t I?
Did I not do well
Was not my record fine
Under your command
Wouldn't I have walked straight through hell
And did I ever look down
Under your command
Didn't I walk naked and cold
Did I spare any pains
Under your command
Wasn't I courageous and bold
Did you ever hear me complain
Under your command
Did my hand ever shake
Didn't I stay cold as ice
Under your command
Did I leave any trace
Was I not great telling lies
Under your command
Was I not true to the cause
Did I not swallow my pride
Under your command
Did I not follow your laws
Did I ever mind
Stina Nordenstam - Dynamite 99
28.6.06
22.6.06

O S. João não me deu nenhum balão.
Levantou-se e foi-se embora.
Deixou-me uma ovelha tresmalhada e pediu-me que olhasse por ela.
Ainda bem que o gato não é alérgico ao pelo.
O S. João pediu-me que não rimasse, por favor.
Acedi-lhe sem cedilha.
Também não gosto de rimas.
E a ovelha bale que se farta e come a comida do gato.
O S. João queimou-se numa brasa muito quente.
Não lhe fiz um curativo.
Deixei que a fogueira amainasse como o vento e ri-me muito na cara dele.
A ovelha não gostou. Mordeu o gato e foi-se embora.
Com o S. João ao colo.
15.6.06
13.6.06
Para a minha Barbarella! Porque isto só pode melhorar!

Tenho uma arma secreta
ao serviço das nações.
Não tem carga nem espoleta
mas dispara em linha recta
mais longe que os foguetões.
Não é Júpiter, nem Thor,
nem Snark ou outros que tais.
É coisa muito melhor
que todo o vasto teor
dos Cabos Canaverais.
A potência destinada
às rotações da turbina
não vem da nafta queimada,
nem é de água oxigenada
nem de ergóis de furalina.
Erecta, na noite erguida,
em alerta permanente,
espera o sinal da partida.
Podia chamar-se VIDA.
Chama-se AMOR, simplesmente.
(António Gedeão)
12.6.06
8.6.06
7.6.06

muñeca triste y dulce, para que no estuvieras triste.
Un cisne, un árbol, algo lejano y alegre.
El tiempo de las uvas, el tiempo maduro y frutal
(excerto retirado de "Veinte poemas de amor y una canción desesperada", por Pablo Neruda)
(Obrigada sempre, Jorge! Fazes magia da magia que reconheces aos alvos da tua objectiva.)
6.6.06
Pergunto-me (II)
Mas é assim?
Nada mais interessa?
E não me venham com as merdas do "patriotismo" que eu ainda bato em alguém!
Juro que bato. Fico verde e vermelha e amarela de vergonha a olhar para as bandeiras nas janelas. Triste, não é?
Não é só os governos que temos. São as gentes que somos.
Afinal, não me pergunto só!
5.6.06
Mountains of Madness
Esclarecimento:
The Tiger Lillies, estiveram em Serralves com o espectáculo Mountains of Madness. Música de cabaret no seu melhor! Acompanhados por Alexander Hacke (dos Einstürzende Neubauten) e com a ajuda dos efeitos visuais de Danielle de Picciotto, recriando a atmosfera do escritor gótico H.P. Lovecraft.
Foi magnífico. Puro e simples.
1.6.06
Booo
Voodoo GirlHer skin is white cloth,
and she's all sewn apart
and she has many colored pins
sticking out of her heart.
She has many different zombies
who are deeply in her trance.
She even has a zombie
who was originally from France.
But she knows she has a curse on her,
a curse she cannot win.
For if someone gets
too close to her,
the pins stick farther in.
(Do senhor Tim Burton e do seu livro "The Melancholy Death of Oyster Boy", imagens incluídas. Só porque me apetece e eu gosto muito!!)
26.5.06
23.5.06
18.5.06
Sr. Jacinto
Levanta-se cedinho, dá um beijo à mulher, outro à mãe, que é um doce e chora de cada vez que presencia um acto de bondade, e sai para o café. Há milhares de coisas a tratar. Não é rico nem quer ser. Adora a condição de ter que trabalhar e recebe as contas fixas de telefone, luz e água com um prazer mórbido de quem tem um orgulho escondido por poder pagar.
Há já muitos anos que se dedica a servir cafés curtos ou compridos a senhoras e a senhores. Com jornal ou com cheirinho. Só para começarem a manhã.
Todos os dias, reclama sobre o Sporting com alguém. Elogia o governo, porque é preciso por ordem nisto e com um embaraço separa sempre uns restinhos do almoço para uma cigana de cabelo negro de fome que lhe mendiga uma sopa. Fiado, nunca!
Sente que esta juventude é mais alegre. Gosta de ver os cabelos de cores diferentes. Os brincos deslocados para outros lados do corpo que também é pintado como o dos índios. Só lhes lamenta a falta de crítica. Ai, que não fazem ideia do que é atravessar a fronteira com panfletos comunistas debaixo de dois quilos de roupa. Jacinto nunca o fez. Mas, suspira como quem era obrigado a frequentar a paróquia enquanto os vizinhos heróis eram com bravura torturados por uma PIDE nessa lide habitual. De tempos menos bons mas, com mais moral!
A seguir a qualquer dia veio um qualquer outro. Mais longo ou mais curto. Depende sempre do ponto de vista da negação.(Jorginho...já estou a recorrer ao arquivo antigo...manda mais...pleeeease! )
15.5.06
5.5.06
Pergunto-me (I)
Por favor, alguém explique aos professores de Português que isto é uma epidemia!!
Alguém lance uma campanha a nível nacional, em power point ou adsl, ou outra forma de choque tecnológico, e expliquem às pessoas o que são formas verbais e o que são pronomes reflexos, por favor!!!
Muito obrigada!
28.4.06
27.4.06
20.4.06

Estou parado à tua espera. No fim da rua que ameaça fugir. Onde me dizem que não vens E nem me és.
Estou parado à tua espera. No fim de uma nuvem que ameaça chover. Onde me dizem que me faltas.
Por isso fui e dou-te adeus. Porque me deste a àgua que me afoga.
(Obrigada, Rui. Espero que me desculpes a ousadia...)
13.4.06
12.4.06
10.4.06
Pergunto-me:

Faça o que pensar sonhe o que desejar, nunca estarei saciada. Porque me custa pensar no que fazer e não durmo o suficiente para sonhar.
(Obrigada, Afonso.Outra vez...)7.4.06
5.4.06

Antes assim que nunca mais. Porque,
Fomos um para o outro o que não seríamos para ninguém.
O ódio penetrou-te o ADN.
O ódio consumiu-me como fogo.
Sou cinza e distracção.
E enquanto não te expurgar. Mais letras preencherão palavras.
Mais manias a minha consumação.(Obrigada, Afonso! Mais uma vez...)
3.4.06
One Of Us Cannot Be Wrong
I lit a thin green candle, to make you jealous of me.
But the room just filled up with mosquitos,
they heard that my body was free.
Then I took the dust of a long sleepless night
and I put it in your little shoe.
And then I confess that I tortured the dress
that you wore for the world to look through.
I showed my heart to the doctor: he said I just have to quit.
Then he wrote himself a prescription,
and your name was mentioned in it!
Then he locked himself in a library shelf
with the details of our honeymoon,
and I hear from the nurse that he's gotten much worse
and his practice is all in a ruin.
I heard of a saint who had loved you,
so I studied all night in his school.
He taught that the duty of lovers
is to tarnish the golden rule.
And just when I was sure that his teachings were pure
he drowned himself in the pool.
His body is gone but back here on the lawn
his spirit continues to drool.
An Eskimo showed me a movie
he'd recently taken of you:
the poor man could hardly stop shivering;
his lips and his fingers were blue.
I suppose that he froze when the wind took your clothes
and I guess he just never got warm.
But you stand there so nice, in your blizzard of ice,
oh please let me come into the storm.
Para suspirar com som, de preferência....
27.3.06
Carolina
“Quanto é o bilhete, por favor?”
“Para onde quer ir?”
“Até ao Carvalhido, passa lá, não passa?”
Com um aceno respondeu que era um Euro, retirou um bilhete do monte preparado e arranjado por um elástico de escritório, entregou-o e ficou à espera que ela contasse ou reunisse os trocos em moedas castanhas que se debatiam furiosas dentro da bolsa minúscula procurando alcançar a quantia exacta.
O autocarro finalmente seguiu. Sentou-se no único lugar à beira da janela entre um rapaz borbulhento e fanático de informática, tendência escondida atrás dos óculos grossos, as suíças mal cortadas, o olhar vago e as revistas debaixo do braço que denunciavam os conhecimentos de linguagens estranhas e binárias e de java e não de jade, e um senhor muito sozinho e esquecido, pela maneira desalinhada em que se apresentara provavelmente num café de juventude aos amigos mais velhos. Ou a ninguém. Os olhos não tinham o brilho que os olhos costumam ter. Eram de um brilho enevoado. As mãos haviam sido de um malandro ou de gente fina. Os dedos desse homem velho e esquecido eram de finura e candura, descobria-se uma pele que não fora viciada pelo trabalho físico ou agreste, porque as mãos ainda pareciam macias de quem nunca experimentou um calo. Mas, agora era só um velho esquecido num banco de dois lugares num autocarro que passava ao Carvalhido.
Enquanto o autocarro deslizava entre passadeiras de peões, semáforos intermitentes, mulheres grávidas nos passeios e adolescentes nas paragens, Carolina engolia o resto do café ainda mentalmente e percorria vezes sem contas as palavras repetidas durante o jantar que oferecera em sua casa na noite anterior a três amigos mais próximos.
Durante o jantar, que não fora breve mas antes prolongado, inspiraram-se em rios tintos maduros do Douro e a voz de um dos presentes profetizou-lhe a solidão por afastamento imposto e consciente. Nunca perante os vidros brilhantes da cristaleira da sala que vez alguma conteve cristais e até serve de estante das relíquias que adquiriu ao longo dos anos, Carolina suspirara diante as palavras e ataques que lhe dedicaram nessa noite de jantar servido com entradas, direito a sobremesa e café com cigarrilhas. Vergou e inclinou a cabeça silenciosa à má disposição de quem se havia lembrado de lhe atirar culpas dos milhares relacionamentos que nunca soube manter nem com os amigos, apesar de se ter admitido que era por isso que as amizades eram fáceis de construir ao lado dela. Era fácil transpirar um ai de leve paixão por aquele sorriso magro, de linhas rectas e sinceras, porque Carolina estava sempre presente, mesmo quando desaparecia afundando-se ou dissolvendo-se na multidão e nunca mais ninguém a via, até ela decidir voltar. Carolina nunca quis dar razão aos amigos que a assombraram na noite anterior, porque foram todos vítimas da sua presença. Todos haviam querido ser heróis nos braços daquela figura frágil e esguia. Por isso decidira que não tinham razão e debateu com eles a noite toda, até que foram embora. O sono que não entrava bloqueado por essas palavras que ainda a seguiam quando se esqueceu do troco do café, quando se sentou no autocarro que a conduzia.
Muitos anos já teria assim? Pareciam tão poucos comparativamente a todo que ela ainda queria fazer e que só por si demorariam tanto tempo que ainda não estava de certeza na altura de pensar que a necessidade de assentar já não faz parte da pressão social imposta às mulheres, mas eram os próprios amigos, companheiros de ideais e de revoluções e independências que a sentiam despegada de companhia e de planos que a carregavam com acusações. Planos. Que planos, quando se sentia demasiado irresponsável para ter a seu cargo a missão de fazer um plano? Os planos são coisas projectadas e pensadas e que são feitos para não falharem, poderia lá ela dedicar-se a que plano fosse quando não tinha preparação de capitão ou comandante para ter a responsabilidade do rumo que as coisas deveriam tomar. Arre! E essa manhã custou imenso a passar. Porque começou na madrugada do fim do jantar e duraria provavelmente até que lhe caísse a Rita, colega do escritório no colo a chorar que o marido ou namorado - porque Carolina não tinha a certeza, nem eles, se eram casados ou não - era um bruto e não lhe ligava nenhuma e preferia ficar a jogar “play station” com os amigos e essas coisas todas que os homens insensíveis ou distraídos são constantemente acusados de fazer.
Aí Carolina soltou um alívio quando a Rita chegou com os olhos inchados do choro de mais uma discussão e pode então, Carolina esquecer que andara barata tonta e nem dormira por causa dos amigos alarmistas e ciumentos da vida descomprometida que levava. Ai, que o ciúme é uma coisa muito feia!
22.3.06

Regresso. De um regresso nunca definitivo.Regresso a casa, de vez. Por altura do galo cantar estarei adormecido sem névoa.
À cidade das coisas certas. Longe das ilusões. Perto, só dos sonhos.
(Obrigada, Afonso.)
21.3.06
20.3.06
17.3.06
Madrugada

Queria dizer-te que o teu mundo me fascina, ou o quanto me repele. Não compreendo sequer o porquê. Mas, posso fazer uma auto-análise à minha personalidade transviada e delirante. Quero acreditar que sei as razões, porque no fundo da minha loucura, o meu cérebro é racionalista e tem que dissecar os porquês, nunca dissociados dos valores mais inatos em que fui concebida e educada.
Porque sei e acredito.
Acredito que se um dia conseguissem adivinhar e perceber como sou chegariam à mesma conclusão científica e racional que explica, racional e cientificamente os meus porquês.
A conclusão será óbvia e curta.
Mas, decerto fica para outra vez. Porque me dá mais gozo falar com palavras que são o código dos meus segredos, mas são apenas delírios para quem as lê. É quase um conforto.
Quereria dizer-te que o meu mundo é estranho porque o faço. Estranho. Mas tão absurdamente simples, e para que ninguém o perceba complico! Ufa! Um alívio que é mentira mas, reconfortante.
Quereria dizer-te o quão é fácil apreciar a tua maneira de suspirar e o sorriso das tuas feromonas… Quereria dizer-te o quão fácil é ficar inspirada pelo teu jeitinho de adormecer. Dele, memória vã.
É um vento que sopra lá fora e quase desmaio. De uma infelicidade amargurada. Mas doce.
E a pose de anjinho, com um piscar no olho que faz a tentação do teu olhar ser diabólico.
E é chegar à conclusão que quando te apercebes que afinal já não compreendes o que se passa à tua volta e quase imediatamente essa linha de raciocínio tem que se transportar para o facto que também, e assim, afinal não te conheces. Oh, havia tanto que te queria dizer, mas não posso, porque não saberia como.
(Mais uma vez. Obrigada, Jorge.)
13.3.06
Gonçalo
Os dias demoram-se quando a demora das nossas decisões tardam em surgir. Um dia e depois outro e mais outro e não que baste só o pensar no que se poderá fazer. Não basta apenas achar que se tem capacidade para fazer quando é necessário fazê-lo.
Depois de descobrir que não tinha mais leite no fundo do pacote já defunto decidiu que o café da manhã lhe sabia bem melhor no tasco do Sr. Jacinto, junto à estação.
E foi com estas manhãs que o Gonçalo se habituou ao mimo dos pardais no passeio e agora tira-lhes fotos com o telemóvel que é máquina de filmar e de gravar som e de consultar a internet e que também dá para fazer chamadas.
Esquece porque é que gosta tanto dos pardais e da senhora que lhes dá pão.
Tinha três anos de idade por fazer e recorda das mãos do avô os passeios que davam no centro da cidade e o que tinha de fugir das pombas que o cobriam quando o avô o cercava de milho tornando-se um isco totalmente acidental das milhares ou só centenas de pombas que caiam atraídas com o som do cereal a bater na calçada escorregando pelo Gonçalo abaixo que só queria era fugir porque as pombas eram muitas. Enquanto isso, o avô ria orgulhoso da estátua de penas agitadas em que se tornara o neto. Deve ser por isso que hoje Gonçalo se fixa nos pequenos pardais que não são tão violentos, mais modestos e pouco rabugentos, assim como a mão doce da velhinha com o puxo no alto da nuca que não alimenta pombas, mas um bando de pardais à solta, como se estivessem em Paris, numa qualquer esplanada sobre o Sena. Com as vozes melódicas da brisa de fim de tarde a anunciar um momento de arte ou sublimação com o chilrear contente dos bandos. À solta. E porque é pão e não milho...

Saudades que tenho tuas.
Palavras que quero tuas.
Avanço sem ver.
Corro sem crer.
Descanso na alma do ar.
Morro sem fôlego.
(Obrigada, Jorge. Pelas fotos que insisto em roubar-te e pô-las aqui.
10.3.06
Cinema Batalha
Sempre gostei daquele cinema. Lá, vi os primeiros filmes. Lá, dei a mão ao primeiro namorado. E seja porque razão sempre gostei daquele cinema.
Por isso, agora fico à espera. Da programação. Da remodelação.
De finalmente poder passear naquela zona sem voltas no estômago.
9.3.06
... e aproveito para informar que:
"O Clube Literário do Porto tem a honra de convidar Vª Exª a estar presente na Inauguração da Exposição de Fotografia “Triângulo” de Jorge Garcia Pereira que terá lugar no dia 10 de Março, pelas 21.30 h."
A não perder!
Ahhhh, como muito bem visto por uma leitora atenta , faltou incluir a morada... Acontece, acontece....
É assim: Clube Literário do Porto: Rua Nova da Alfândega, 22. 4050-430 Porto
Passam os dias lustrosos que lhe anunciam chuva.Ela toca piano, irritantemente.
Hoje o dia será igual, certamente.
E como uma luz que treme à tua chegada
Assim, eu erro, gramaticalmente.
(foto de A.)
Pronto! Está quase!
Agora, devagarinho, vou adicionando os links todos que aqui a Susie gosta e recomenda!
Por isso, tenham paciência...
8.3.06
1.3.06
suspiro (III)

Altero só agora este "post" para o deixar completo e acabadinho. A emoção de receber a foto que o adorna levou-me à precipitação de o deixar vazio mas, não o pude deixar assim. Porque, o amigo fotógrafo é-me muito querido, de longias histórias e recordações. E porque esse meu amigo deu-me notícias bonitas, como um sol anunciado. Parabéns, Mathieu!
(foto por Mathieu Neuforge)
27.2.06
22.2.06
17.2.06
suspiro (II)
para tu libertad bastan mis alas.
Desde mi boca llegará hasta el cielo
lo que estaba dormido sobre tu alma.
Es en ti la ilusión de cada día.
Llegas como el rocío a las corolas.
Socavas el horizonte con tu ausencia.
Eternamente en fuga como la ola.
He dicho que cantabas en el viento
como los pinos y como los mástiles.
Como ellos eres alta y taciturna.
Y entristeces de pronto, como un viaje.
Acogedora como un viejo camino.
Te pueblan ecos y voces nostálgicas.
Yo desperté y a veces emigran y huyen
pájaros que dormían en tu alma.
Veinte poemas de amor
y una canción desesperada
por Pablo Neruda
16.2.06
Ainda bem que o Engº Sócrates descobriu 150.000 empregos para atribuir!
Ainda bem que o Engº Sócrates acha que o seu Ministro dos Negócios Estrangeiros anda a fazer tudo bem!
Pena é que as escolas tenham ADSL e não tenham computadores a funcionar(mas podem sempre construir barquinhos com as carcaças dos computadores e passearem-se pelas salas de água inundadas por falta de tectos...)!
Pena é que o desemprego esteja aumentar à velocidade da sua inspiração(não é asmático, pois não, Sr. Engº? Mas também se for já deve ter ouvido das famosas Termas de Jurema. Sempre não corre tantos riscos como a esquiar...)!
Pena é que o Sr. Freitas do Amaral ache que o holocausto nunca existiu(estou a seguir um raciocínio de lógica, muito conhecido como a "Lógica da Batata", retórica muito apreciada e praticada pelo actual executivo!!)mas, deve estar contente com o seu amigo iraniano. Haja alegria!
Pena é que a chacota em que se está a tornar este país não possa ser censurada!E que os nossos políticos não possam ser censurados!
14.2.06
10.2.06
Proverbs of Hell
The pride of the peacock is the glory of God.
The lust of the goat is the bounty of God.
The wrath of the lion is the wisdom of God.
The nakedness of woman is the work of God.
Excess of sorrow laughs. Excess of joy weeps.
The roaring of lions, the howling of wolves, the raging of the stormy sea, and the destructive sword, are portions of eternity too great for the eye of man.
The fox condemns the trap, not himself.
Joys impregnate. Sorrows bring forth.
Let man wear the fell of the lion, woman the fleece of the sheep.
The bird a nest, the spider a web, man friendship.
The selfish smiling fool, & the sullen frowning fool, shall be both thought wise, that they may be a rod.
What is now proved was once, only imagin'd.
The rat, the mouse, the fox, the rabbit: watch the roots; the lion, the tyger, the horse, the elephant, watch the fruits.
The cistern contains; the fountain overflows.
One thought, fills immensity.
Always be ready to speak your mind, and a base man will avoid you.
Every thing possible to be believ'd is an image of truth.
The eagle never lost so much time, as when he submitted to learn of the crow.
William Blake
8.2.06
6.2.06
esperas
3.2.06
2.2.06
30.1.06
one way

Copos partidos e o vento entrou depressa naquela garrafa. Que ficou tão esquecida quanto vazia.
Olhou para trás e não viu nada. As lágrimas ocuparam o lugar dos sorrisos.
A garrafa jazia. O copo partido pela surpresa que nem teve tempo de ser anunciada estragando a surpresa que a surpresa sempre causa. Restando os cacos dos copos.
É o adeus anunciado.
24.1.06
um suspiro
levar a vida
Pois chorando eu vi
a mocidade perdida
Finda a tempestade
O sol nascerá
Finda esta saudade
Hei de ter outro
alguém para amar
Elis Regina
by Cartola / Elton Medeiros
23.1.06
20.1.06
11.1.06
oração
Fecharia os olhos e de joelhos confessaria as suas mágoas ao homem simpático de veste católica. Sem lhe ver a cara e sem ser vista. Agradeceria o poder falar do sufoco no coração.
Mas os passos nunca se dirigiram para a casa de oração. Nunca sentiu o alívio de palavras soltas no cubículo de madeira rendada à pressa de algumas avé marias e pais nosso. E o mal ficou atravessado na garganta e algures entre aortas. Venosas e arteriais.
Como um espelho para onde recusa o olhar, bastando-lhe a dor que sente.
Nunca vai saber explicar. Como sabe explicar que bits são diferentes de bytes.
Porque o seu problema não é moral nem social. É da tristeza profunda que não tem forças para compreender.
O que a torna sonolenta de vida.
Um beijo de mim para ti, miúda.
6.1.06
Ano Novo...
Acho que este ano vai ser melhor qualquer coisinha....






























