
8.1.07
18.12.06

12.12.06
Praga de Natal
Jantar de Natal é só um. Na noite de 24 de Dezembro, com a família, se a há. Ou com os amigos. Aqueles mesmo amigos. Por isso já sabem, não obrigada. Vou fazer uma rinoplastia e o avô tá no hospital!
29.11.06

A razão permanece sentada à minha frente. Vestida de alcatrão preto. Respira a água da chuva como uma prece. Nem a tento alcançar. Ela, a razão. Que se mantém imóvel. Como uma casa. E não foge. Dos pés e das mãos. Porque, o meu caminho impõe a distância e ela está sempre ali. Sentada à minha frente. Vestida de alcatrão preto.
13.11.06
20.10.06

As senhoras falam dos mais novos. Das noras delas das noras dos outros. Dos filhos e das filhas. Entrelaçam as conversas com as alegrias que os netos não deram porque os filhos os esqueceram de ter. Tomam chá e comem bolo e acham mal que se fique em casa a tomar conta das crianças. Relembram aureas infâncias, mães vaidosas e pais extremosos.Vestem roupas caras e joviais, como são. E tem certezas e confianças nas suas idades e das idades das roupas que vestem. Usam palavas dos programas de cultura que conhecem e conhecem bem. Um delas é mais nova. Ou nora de alguma. Ouve mais e sorri, perfeiamente. Excelente aluna. E é gabada, entre um chá "que bem, que bem!".
E conhecem as tendências dos ginásios e da ginástica dentro de água. São elegantes.
A mais nova pagou a conta. Sob protesto. Chamaram-lhe menina.
19.10.06
25.9.06

Margarida sentada no café.
Espera pelo café que não vai provar.
Margarida veste uma saia comprida.
Espera por alguém que não vai aparecer.
Foi a última vez que Margarida esperou.
Margarida tenta ler o jornal
Falha nas palavras cruzadas.
Nunca gostou de as fazer, a Margarida.
Mas, não morreu.
A Margarida deixou de viver.Nesse dia, no café.
Enquanto esperava sentada com a saia comprida.
Correm as pétalas atrás da memória que se ouve da Margarida.
Estendida, choram as margaridas da saia comprida.
Avistaram-se lágrimas cansadas antes que caísse.
Disseram ao vento que as levasse.
Mas o sol não deixou o vento chorar.
Ficou-se, sem (M)argaridas.
13.9.06
Impío
O tempo nunca chega. O tempo nunca espera.
Temo que o tempo nem sequer exista.
8.9.06
Há coisas que IRRITAM profundamente!
Juro que não percebi bem onde foi que eu assinei, que letrinhas pequeninas e em que folha declarava sob juramento o compromisso de aceitar e atender as chamadas que me fazem, no dia em que me tornei possuidora desta arma do demo.
Se somos independentes e livres e autónomos e adultos e racionais a propósito de quê deverei estar condicionada à vontade dos outros no que respeita a telefonemas? Porque deverei subjugar-me à vontade unilateral de alguém em conversar comigo? Porquê?.. se fui eu que paguei o telemóvel, pago as chamadas que efectuo, deverei vassalagem ao toque imbecil da criatura? Humpff! Estou tão mas tão mas tão irritada que nem me apetece dizer mais nada!
5.9.06
31.8.06
29.8.06
Frida
Ela está sentada, à espera. As escadas parecem já desconfortáveis. Antes, sorriram boa ideia no pensamento.
Mas, ele não percebe.
No fundo, bem fundo ele não percebe.
O mais secreto desejo. Aquele que nem em razão se traduz nem em paranóia ou obsessão.
Porque é só aquilo que se quer.
Mesmo com dor. E não se diz a ninguém. Mantém-se apenas.
Dentro de um grito em surdina e que espera que não seja ouvido. Mas que aperta dentro do coração.
Lamenta.
Lamenta-se.
Não por ele. Mas para ele. Se calhar só depois de várias mezinhas, rituais e danças com água. Não assume a piada. Apenas afrontamento. Peca mais que tudo ao deseja-la de volta. Ao não querer saber de nada. Da fúria que se impôs.
Atira as culpas para o Karma.
Se calhar. Se calhar é assim que se expurga de vez. Ai, quantas e quantas palavras destas lhe deixou. Se deixou.
Porque queria que chegassem ao coração e não passam do seu. Nem da folha branca de zeros e uns que nunca passa a papel.
E quando mais te quero menos te sei e sinto. distância.
E quando menos te queria mais te sentia. sufoco.
Nunca mas, nunca serias meu sonho. Tornaste-te insónia.
E ninguém faz ideia do que é a tortura. Faltam-lhe lágrimas porque as engole e engorda assim o fardo.
Esperam-se bem. Com mágoa. Porque não estás comigo?
28.8.06
22.8.06
Portugal no seu melhor (I)
21.8.06
11.8.06
3.8.06
1.8.06

A calmia está para rebentar.
Perdi-me longe do teu olhar e finalmente esqueci-me.
Nas cascas das laranjas amargas
Não vás assim, tão perdida.
Não corras assim, tão sentimentalmente.
Porque se achas que já são horas....
Já foram. Muitas.
A seguir os minutos.
Desenhaste formas de barcos
E ainda bem que chove.
E deixaste-os escorrer
Por um rio que ja não sobe.
(thanks, again. your pics are great. dear, Mat.)
31.7.06

Apercebo-me que a minha vida tomou um rumo que não reconheço como um percurso que poderia ser o meu. Um estado de embriaguez entorpece-me o espírito que já é irrequieto. Para que as voltas que dou voltando ao mesmo lugar mas noutra plataforma. Distorcida.
A minha realidade compõe-se com os factos que me deveriam ser novos mas, parecem instalados como se estivessem lá desde sempre, com os vícios que são meus. E assim, mil e umas vezes mais olho-me ao espelho e não me reconheço e cada vez mais o meu rosto faz sentido para a imagem que tinha de mim, porque as minhas preocupações são outras que nunca pensei serem as que tenho. É com se estivesse noutro sítio quando chega a altura de fazer opções e quando voltas e olhas e…
Nada acontece, então. E fico ou deixo-me ficar. Porque as colinas estarão para sempre lá e a areia e o vento e o mar e os rios e as flores e as árvores. E os pássaros que me irritam de manhã.
Durmo sonolentamente. E não acordo. Porque tenho medo que seja um sonho.
E afinal, a manhã já passou. Alívio contido. Porque estou de férias.
(A pedido de numerosas famílias, foi o post possível sobre férias...ai... Mais uma vez, obrigada, Afonso! )
17.7.06
14.7.06
Há dias em que acordo assim.
7.7.06
Saiu de casa apressado. Pegou na mala de ferramentas e abalou. Diziam que era bom moço e muito bom trabalhador. Diziam que era amigo de ajudar mas, não falava muito. Era pouco dado à bola e aos copos. Alinhava na malha, de quando em vez. O que gostava mesmo era de ficar sentado na borda do passeio a traulitar canções e a inventar histórias sobre os pássaros. Os pássaros que lhe enchiam a retina e os ouvidos criados numa serra pequenina. Abalou para a fábrica. porque ía muito atrasado. Dizem que adormecera, o que era estranho, porque o rapaz deitava-se cedo. Nem ao café vinha. Só ao Sábado. Dizem que nunca lhe ouviram suspiros pelo totoloto ou pela partida para a cidade. Que gostava muito disto. Que não largava isto por nada. Era um rapaz muito jeitoso. Trabalhador...e humilde, muito humilde. Abalou. De vez. Mas, que não pode ter sido, que algo lhe aconteceu, será que foi assaltado pelo caminho? A Guarda não encontrou nada. Nem a família pode responder porque não sabe. Mas ainda ficou de passar cá a semana passada para me arranjar a porta do galinheiro. E ele nunca faltava. Ai que mundo este, Meu Deus...(mérci bien, chére Mathieu Neuforge)
30.6.06
Didn´t I?
Did I not do well
Was not my record fine
Under your command
Wouldn't I have walked straight through hell
And did I ever look down
Under your command
Didn't I walk naked and cold
Did I spare any pains
Under your command
Wasn't I courageous and bold
Did you ever hear me complain
Under your command
Did my hand ever shake
Didn't I stay cold as ice
Under your command
Did I leave any trace
Was I not great telling lies
Under your command
Was I not true to the cause
Did I not swallow my pride
Under your command
Did I not follow your laws
Did I ever mind
Stina Nordenstam - Dynamite 99
28.6.06
22.6.06

O S. João não me deu nenhum balão.
Levantou-se e foi-se embora.
Deixou-me uma ovelha tresmalhada e pediu-me que olhasse por ela.
Ainda bem que o gato não é alérgico ao pelo.
O S. João pediu-me que não rimasse, por favor.
Acedi-lhe sem cedilha.
Também não gosto de rimas.
E a ovelha bale que se farta e come a comida do gato.
O S. João queimou-se numa brasa muito quente.
Não lhe fiz um curativo.
Deixei que a fogueira amainasse como o vento e ri-me muito na cara dele.
A ovelha não gostou. Mordeu o gato e foi-se embora.
Com o S. João ao colo.
15.6.06
13.6.06
Para a minha Barbarella! Porque isto só pode melhorar!

Tenho uma arma secreta
ao serviço das nações.
Não tem carga nem espoleta
mas dispara em linha recta
mais longe que os foguetões.
Não é Júpiter, nem Thor,
nem Snark ou outros que tais.
É coisa muito melhor
que todo o vasto teor
dos Cabos Canaverais.
A potência destinada
às rotações da turbina
não vem da nafta queimada,
nem é de água oxigenada
nem de ergóis de furalina.
Erecta, na noite erguida,
em alerta permanente,
espera o sinal da partida.
Podia chamar-se VIDA.
Chama-se AMOR, simplesmente.
(António Gedeão)
12.6.06
8.6.06
7.6.06

muñeca triste y dulce, para que no estuvieras triste.
Un cisne, un árbol, algo lejano y alegre.
El tiempo de las uvas, el tiempo maduro y frutal
(excerto retirado de "Veinte poemas de amor y una canción desesperada", por Pablo Neruda)
(Obrigada sempre, Jorge! Fazes magia da magia que reconheces aos alvos da tua objectiva.)
6.6.06
Pergunto-me (II)
Mas é assim?
Nada mais interessa?
E não me venham com as merdas do "patriotismo" que eu ainda bato em alguém!
Juro que bato. Fico verde e vermelha e amarela de vergonha a olhar para as bandeiras nas janelas. Triste, não é?
Não é só os governos que temos. São as gentes que somos.
Afinal, não me pergunto só!
5.6.06
Mountains of Madness
Esclarecimento:
The Tiger Lillies, estiveram em Serralves com o espectáculo Mountains of Madness. Música de cabaret no seu melhor! Acompanhados por Alexander Hacke (dos Einstürzende Neubauten) e com a ajuda dos efeitos visuais de Danielle de Picciotto, recriando a atmosfera do escritor gótico H.P. Lovecraft.
Foi magnífico. Puro e simples.
1.6.06
Booo
Voodoo GirlHer skin is white cloth,
and she's all sewn apart
and she has many colored pins
sticking out of her heart.
She has many different zombies
who are deeply in her trance.
She even has a zombie
who was originally from France.
But she knows she has a curse on her,
a curse she cannot win.
For if someone gets
too close to her,
the pins stick farther in.
(Do senhor Tim Burton e do seu livro "The Melancholy Death of Oyster Boy", imagens incluídas. Só porque me apetece e eu gosto muito!!)
26.5.06
23.5.06
18.5.06
Sr. Jacinto
Levanta-se cedinho, dá um beijo à mulher, outro à mãe, que é um doce e chora de cada vez que presencia um acto de bondade, e sai para o café. Há milhares de coisas a tratar. Não é rico nem quer ser. Adora a condição de ter que trabalhar e recebe as contas fixas de telefone, luz e água com um prazer mórbido de quem tem um orgulho escondido por poder pagar.
Há já muitos anos que se dedica a servir cafés curtos ou compridos a senhoras e a senhores. Com jornal ou com cheirinho. Só para começarem a manhã.
Todos os dias, reclama sobre o Sporting com alguém. Elogia o governo, porque é preciso por ordem nisto e com um embaraço separa sempre uns restinhos do almoço para uma cigana de cabelo negro de fome que lhe mendiga uma sopa. Fiado, nunca!
Sente que esta juventude é mais alegre. Gosta de ver os cabelos de cores diferentes. Os brincos deslocados para outros lados do corpo que também é pintado como o dos índios. Só lhes lamenta a falta de crítica. Ai, que não fazem ideia do que é atravessar a fronteira com panfletos comunistas debaixo de dois quilos de roupa. Jacinto nunca o fez. Mas, suspira como quem era obrigado a frequentar a paróquia enquanto os vizinhos heróis eram com bravura torturados por uma PIDE nessa lide habitual. De tempos menos bons mas, com mais moral!
A seguir a qualquer dia veio um qualquer outro. Mais longo ou mais curto. Depende sempre do ponto de vista da negação.(Jorginho...já estou a recorrer ao arquivo antigo...manda mais...pleeeease! )
15.5.06
5.5.06
Pergunto-me (I)
Por favor, alguém explique aos professores de Português que isto é uma epidemia!!
Alguém lance uma campanha a nível nacional, em power point ou adsl, ou outra forma de choque tecnológico, e expliquem às pessoas o que são formas verbais e o que são pronomes reflexos, por favor!!!
Muito obrigada!
28.4.06
27.4.06
20.4.06

Estou parado à tua espera. No fim da rua que ameaça fugir. Onde me dizem que não vens E nem me és.
Estou parado à tua espera. No fim de uma nuvem que ameaça chover. Onde me dizem que me faltas.
Por isso fui e dou-te adeus. Porque me deste a àgua que me afoga.
(Obrigada, Rui. Espero que me desculpes a ousadia...)
13.4.06
12.4.06
10.4.06
Pergunto-me:

Faça o que pensar sonhe o que desejar, nunca estarei saciada. Porque me custa pensar no que fazer e não durmo o suficiente para sonhar.
(Obrigada, Afonso.Outra vez...)7.4.06
5.4.06

Antes assim que nunca mais. Porque,
Fomos um para o outro o que não seríamos para ninguém.
O ódio penetrou-te o ADN.
O ódio consumiu-me como fogo.
Sou cinza e distracção.
E enquanto não te expurgar. Mais letras preencherão palavras.
Mais manias a minha consumação.(Obrigada, Afonso! Mais uma vez...)
3.4.06
One Of Us Cannot Be Wrong
I lit a thin green candle, to make you jealous of me.
But the room just filled up with mosquitos,
they heard that my body was free.
Then I took the dust of a long sleepless night
and I put it in your little shoe.
And then I confess that I tortured the dress
that you wore for the world to look through.
I showed my heart to the doctor: he said I just have to quit.
Then he wrote himself a prescription,
and your name was mentioned in it!
Then he locked himself in a library shelf
with the details of our honeymoon,
and I hear from the nurse that he's gotten much worse
and his practice is all in a ruin.
I heard of a saint who had loved you,
so I studied all night in his school.
He taught that the duty of lovers
is to tarnish the golden rule.
And just when I was sure that his teachings were pure
he drowned himself in the pool.
His body is gone but back here on the lawn
his spirit continues to drool.
An Eskimo showed me a movie
he'd recently taken of you:
the poor man could hardly stop shivering;
his lips and his fingers were blue.
I suppose that he froze when the wind took your clothes
and I guess he just never got warm.
But you stand there so nice, in your blizzard of ice,
oh please let me come into the storm.
Para suspirar com som, de preferência....
27.3.06
Carolina
“Quanto é o bilhete, por favor?”
“Para onde quer ir?”
“Até ao Carvalhido, passa lá, não passa?”
Com um aceno respondeu que era um Euro, retirou um bilhete do monte preparado e arranjado por um elástico de escritório, entregou-o e ficou à espera que ela contasse ou reunisse os trocos em moedas castanhas que se debatiam furiosas dentro da bolsa minúscula procurando alcançar a quantia exacta.
O autocarro finalmente seguiu. Sentou-se no único lugar à beira da janela entre um rapaz borbulhento e fanático de informática, tendência escondida atrás dos óculos grossos, as suíças mal cortadas, o olhar vago e as revistas debaixo do braço que denunciavam os conhecimentos de linguagens estranhas e binárias e de java e não de jade, e um senhor muito sozinho e esquecido, pela maneira desalinhada em que se apresentara provavelmente num café de juventude aos amigos mais velhos. Ou a ninguém. Os olhos não tinham o brilho que os olhos costumam ter. Eram de um brilho enevoado. As mãos haviam sido de um malandro ou de gente fina. Os dedos desse homem velho e esquecido eram de finura e candura, descobria-se uma pele que não fora viciada pelo trabalho físico ou agreste, porque as mãos ainda pareciam macias de quem nunca experimentou um calo. Mas, agora era só um velho esquecido num banco de dois lugares num autocarro que passava ao Carvalhido.
Enquanto o autocarro deslizava entre passadeiras de peões, semáforos intermitentes, mulheres grávidas nos passeios e adolescentes nas paragens, Carolina engolia o resto do café ainda mentalmente e percorria vezes sem contas as palavras repetidas durante o jantar que oferecera em sua casa na noite anterior a três amigos mais próximos.
Durante o jantar, que não fora breve mas antes prolongado, inspiraram-se em rios tintos maduros do Douro e a voz de um dos presentes profetizou-lhe a solidão por afastamento imposto e consciente. Nunca perante os vidros brilhantes da cristaleira da sala que vez alguma conteve cristais e até serve de estante das relíquias que adquiriu ao longo dos anos, Carolina suspirara diante as palavras e ataques que lhe dedicaram nessa noite de jantar servido com entradas, direito a sobremesa e café com cigarrilhas. Vergou e inclinou a cabeça silenciosa à má disposição de quem se havia lembrado de lhe atirar culpas dos milhares relacionamentos que nunca soube manter nem com os amigos, apesar de se ter admitido que era por isso que as amizades eram fáceis de construir ao lado dela. Era fácil transpirar um ai de leve paixão por aquele sorriso magro, de linhas rectas e sinceras, porque Carolina estava sempre presente, mesmo quando desaparecia afundando-se ou dissolvendo-se na multidão e nunca mais ninguém a via, até ela decidir voltar. Carolina nunca quis dar razão aos amigos que a assombraram na noite anterior, porque foram todos vítimas da sua presença. Todos haviam querido ser heróis nos braços daquela figura frágil e esguia. Por isso decidira que não tinham razão e debateu com eles a noite toda, até que foram embora. O sono que não entrava bloqueado por essas palavras que ainda a seguiam quando se esqueceu do troco do café, quando se sentou no autocarro que a conduzia.
Muitos anos já teria assim? Pareciam tão poucos comparativamente a todo que ela ainda queria fazer e que só por si demorariam tanto tempo que ainda não estava de certeza na altura de pensar que a necessidade de assentar já não faz parte da pressão social imposta às mulheres, mas eram os próprios amigos, companheiros de ideais e de revoluções e independências que a sentiam despegada de companhia e de planos que a carregavam com acusações. Planos. Que planos, quando se sentia demasiado irresponsável para ter a seu cargo a missão de fazer um plano? Os planos são coisas projectadas e pensadas e que são feitos para não falharem, poderia lá ela dedicar-se a que plano fosse quando não tinha preparação de capitão ou comandante para ter a responsabilidade do rumo que as coisas deveriam tomar. Arre! E essa manhã custou imenso a passar. Porque começou na madrugada do fim do jantar e duraria provavelmente até que lhe caísse a Rita, colega do escritório no colo a chorar que o marido ou namorado - porque Carolina não tinha a certeza, nem eles, se eram casados ou não - era um bruto e não lhe ligava nenhuma e preferia ficar a jogar “play station” com os amigos e essas coisas todas que os homens insensíveis ou distraídos são constantemente acusados de fazer.
Aí Carolina soltou um alívio quando a Rita chegou com os olhos inchados do choro de mais uma discussão e pode então, Carolina esquecer que andara barata tonta e nem dormira por causa dos amigos alarmistas e ciumentos da vida descomprometida que levava. Ai, que o ciúme é uma coisa muito feia!
22.3.06

Regresso. De um regresso nunca definitivo.Regresso a casa, de vez. Por altura do galo cantar estarei adormecido sem névoa.
À cidade das coisas certas. Longe das ilusões. Perto, só dos sonhos.
(Obrigada, Afonso.)































