
Adoro-te. Adoro-te. Adoro-te. Adoro-te. Adoro-te. Adoro-te. Adoro-te. Adoro-te. Adoro-te. Adoro-te. Adoro-te. Adoro-te. Adoro-te. Adoro-te. Adoro-te. Adoro-te. Adoro-te. Adoro-te. Adoro-te.
Mil vezes infinito. Volta depressa.
"O valor das palavras na poesia é o de nos conduzirem ao ponto onde nos esquecemos delas.O ponto onde nos esquecemos delas é onde nunca mais se pode ter repouso." Natália Correia atrasdacortina@gmail.com







Ela está sentada, à espera. As escadas parecem já desconfortáveis. Antes, sorriram boa ideia no pensamento.
Mas, ele não percebe.
No fundo, bem fundo ele não percebe.
O mais secreto desejo. Aquele que nem em razão se traduz nem em paranóia ou obsessão.
Porque é só aquilo que se quer.
Mesmo com dor. E não se diz a ninguém. Mantém-se apenas.
Dentro de um grito em surdina e que espera que não seja ouvido. Mas que aperta dentro do coração.
Lamenta.
Lamenta-se.
Não por ele. Mas para ele. Se calhar só depois de várias mezinhas, rituais e danças com água. Não assume a piada. Apenas afrontamento. Peca mais que tudo ao deseja-la de volta. Ao não querer saber de nada. Da fúria que se impôs.
Atira as culpas para o Karma.
Se calhar. Se calhar é assim que se expurga de vez. Ai, quantas e quantas palavras destas lhe deixou. Se deixou.
Porque queria que chegassem ao coração e não passam do seu. Nem da folha branca de zeros e uns que nunca passa a papel.
E quando mais te quero menos te sei e sinto. distância.
E quando menos te queria mais te sentia. sufoco.
Nunca mas, nunca serias meu sonho. Tornaste-te insónia.
E ninguém faz ideia do que é a tortura. Faltam-lhe lágrimas porque as engole e engorda assim o fardo.
Esperam-se bem. Com mágoa. Porque não estás comigo?


Apercebo-me que a minha vida tomou um rumo que não reconheço como um percurso que poderia ser o meu. Um estado de embriaguez entorpece-me o espírito que já é irrequieto. Para que as voltas que dou voltando ao mesmo lugar mas noutra plataforma. Distorcida.
A minha realidade compõe-se com os factos que me deveriam ser novos mas, parecem instalados como se estivessem lá desde sempre, com os vícios que são meus. E assim, mil e umas vezes mais olho-me ao espelho e não me reconheço e cada vez mais o meu rosto faz sentido para a imagem que tinha de mim, porque as minhas preocupações são outras que nunca pensei serem as que tenho. É com se estivesse noutro sítio quando chega a altura de fazer opções e quando voltas e olhas e…
Nada acontece, então. E fico ou deixo-me ficar. Porque as colinas estarão para sempre lá e a areia e o vento e o mar e os rios e as flores e as árvores. E os pássaros que me irritam de manhã.
Durmo sonolentamente. E não acordo. Porque tenho medo que seja um sonho.
E afinal, a manhã já passou. Alívio contido. Porque estou de férias.
(A pedido de numerosas famílias, foi o post possível sobre férias...ai... Mais uma vez, obrigada, Afonso! )
Saiu de casa apressado. Pegou na mala de ferramentas e abalou. Diziam que era bom moço e muito bom trabalhador. Diziam que era amigo de ajudar mas, não falava muito. Era pouco dado à bola e aos copos. Alinhava na malha, de quando em vez. O que gostava mesmo era de ficar sentado na borda do passeio a traulitar canções e a inventar histórias sobre os pássaros. Os pássaros que lhe enchiam a retina e os ouvidos criados numa serra pequenina. Abalou para a fábrica. porque ía muito atrasado. Dizem que adormecera, o que era estranho, porque o rapaz deitava-se cedo. Nem ao café vinha. Só ao Sábado. Dizem que nunca lhe ouviram suspiros pelo totoloto ou pela partida para a cidade. Que gostava muito disto. Que não largava isto por nada. Era um rapaz muito jeitoso. Trabalhador...e humilde, muito humilde. Abalou. De vez. Mas, que não pode ter sido, que algo lhe aconteceu, será que foi assaltado pelo caminho? A Guarda não encontrou nada. Nem a família pode responder porque não sabe. Mas ainda ficou de passar cá a semana passada para me arranjar a porta do galinheiro. E ele nunca faltava. Ai que mundo este, Meu Deus...
O S. João não me deu nenhum balão.
Levantou-se e foi-se embora.
Deixou-me uma ovelha tresmalhada e pediu-me que olhasse por ela.
Ainda bem que o gato não é alérgico ao pelo.
O S. João pediu-me que não rimasse, por favor.
Acedi-lhe sem cedilha.
Também não gosto de rimas.
E a ovelha bale que se farta e come a comida do gato.
O S. João queimou-se numa brasa muito quente.
Não lhe fiz um curativo.
Deixei que a fogueira amainasse como o vento e ri-me muito na cara dele.
A ovelha não gostou. Mordeu o gato e foi-se embora.
Com o S. João ao colo.

Tenho uma arma secreta
ao serviço das nações.
Não tem carga nem espoleta
mas dispara em linha recta
mais longe que os foguetões.
Não é Júpiter, nem Thor,
nem Snark ou outros que tais.
É coisa muito melhor
que todo o vasto teor
dos Cabos Canaverais.
A potência destinada
às rotações da turbina
não vem da nafta queimada,
nem é de água oxigenada
nem de ergóis de furalina.
Erecta, na noite erguida,
em alerta permanente,
espera o sinal da partida.
Podia chamar-se VIDA.
Chama-se AMOR, simplesmente.
(António Gedeão)

Voodoo Girl who are deeply in her trance.
She even has a zombie
who was originally from France.
But she knows she has a curse on her,
a curse she cannot win.
For if someone gets
too close to her,
the pins stick farther in.
(Do senhor Tim Burton e do seu livro "The Melancholy Death of Oyster Boy", imagens incluídas. Só porque me apetece e eu gosto muito!!)
Levanta-se cedinho, dá um beijo à mulher, outro à mãe, que é um doce e chora de cada vez que presencia um acto de bondade, e sai para o café. Há milhares de coisas a tratar. Não é rico nem quer ser. Adora a condição de ter que trabalhar e recebe as contas fixas de telefone, luz e água com um prazer mórbido de quem tem um orgulho escondido por poder pagar.
Há já muitos anos que se dedica a servir cafés curtos ou compridos a senhoras e a senhores. Com jornal ou com cheirinho. Só para começarem a manhã.
Todos os dias, reclama sobre o Sporting com alguém. Elogia o governo, porque é preciso por ordem nisto e com um embaraço separa sempre uns restinhos do almoço para uma cigana de cabelo negro de fome que lhe mendiga uma sopa. Fiado, nunca!
Sente que esta juventude é mais alegre. Gosta de ver os cabelos de cores diferentes. Os brincos deslocados para outros lados do corpo que também é pintado como o dos índios. Só lhes lamenta a falta de crítica. Ai, que não fazem ideia do que é atravessar a fronteira com panfletos comunistas debaixo de dois quilos de roupa. Jacinto nunca o fez. Mas, suspira como quem era obrigado a frequentar a paróquia enquanto os vizinhos heróis eram com bravura torturados por uma PIDE nessa lide habitual. De tempos menos bons mas, com mais moral!
A seguir a qualquer dia veio um qualquer outro. Mais longo ou mais curto. Depende sempre do ponto de vista da negação.

Faça o que pensar sonhe o que desejar, nunca estarei saciada. Porque me custa pensar no que fazer e não durmo o suficiente para sonhar.
(Obrigada, Afonso.Outra vez...)
Antes assim que nunca mais. Porque,
Fomos um para o outro o que não seríamos para ninguém.
O ódio penetrou-te o ADN.
O ódio consumiu-me como fogo.
Sou cinza e distracção.
E enquanto não te expurgar. Mais letras preencherão palavras.
Mais manias a minha consumação.(Obrigada, Afonso! Mais uma vez...)
One Of Us Cannot Be Wrong
I lit a thin green candle, to make you jealous of me.
But the room just filled up with mosquitos,
they heard that my body was free.
Then I took the dust of a long sleepless night
and I put it in your little shoe.
And then I confess that I tortured the dress
that you wore for the world to look through.
I showed my heart to the doctor: he said I just have to quit.
Then he wrote himself a prescription,
and your name was mentioned in it!
Then he locked himself in a library shelf
with the details of our honeymoon,
and I hear from the nurse that he's gotten much worse
and his practice is all in a ruin.
I heard of a saint who had loved you,
so I studied all night in his school.
He taught that the duty of lovers
is to tarnish the golden rule.
And just when I was sure that his teachings were pure
he drowned himself in the pool.
His body is gone but back here on the lawn
his spirit continues to drool.
An Eskimo showed me a movie
he'd recently taken of you:
the poor man could hardly stop shivering;
his lips and his fingers were blue.
I suppose that he froze when the wind took your clothes
and I guess he just never got warm.
But you stand there so nice, in your blizzard of ice,
oh please let me come into the storm.