Manuel Alvarez Bravo . 1930. Frida KahloEla está sentada, à espera. As escadas parecem já desconfortáveis. Antes, sorriram boa ideia no pensamento.
Mas, ele não percebe.
No fundo, bem fundo ele não percebe.
O mais secreto desejo. Aquele que nem em razão se traduz nem em paranóia ou obsessão.
Porque é só aquilo que se quer.
Mesmo com dor. E não se diz a ninguém. Mantém-se apenas.
Dentro de um grito em surdina e que espera que não seja ouvido. Mas que aperta dentro do coração.
Lamenta.
Lamenta-se.
Não por ele. Mas para ele. Se calhar só depois de várias mezinhas, rituais e danças com água. Não assume a piada. Apenas afrontamento. Peca mais que tudo ao deseja-la de volta. Ao não querer saber de nada. Da fúria que se impôs.
Atira as culpas para o Karma.
Antes esquecer-se de vez. Do que nunca mais voltar. Porque seria mais fácil, não melhor para o que o afoga. Ao fundo. Porque no fundo é um ódio que lhe tem doce, doce. Virtudes do fel.
Se calhar. Se calhar é assim que se expurga de vez. Ai, quantas e quantas palavras destas lhe deixou. Se deixou.
Porque queria que chegassem ao coração e não passam do seu. Nem da folha branca de zeros e uns que nunca passa a papel.
E quando mais te quero menos te sei e sinto. distância.
E quando menos te queria mais te sentia. sufoco.
Nunca mas, nunca serias meu sonho. Tornaste-te insónia.
Não se odeia por isso. Só não se conhece.
E ninguém faz ideia do que é a tortura. Faltam-lhe lágrimas porque as engole e engorda assim o fardo.
Esperam-se bem. Com mágoa. Porque não estás comigo?