17.3.06

Madrugada


Queria dizer-te que o teu mundo me fascina, ou o quanto me repele. Não compreendo sequer o porquê. Mas, posso fazer uma auto-análise à minha personalidade transviada e delirante. Quero acreditar que sei as razões, porque no fundo da minha loucura, o meu cérebro é racionalista e tem que dissecar os porquês, nunca dissociados dos valores mais inatos em que fui concebida e educada.

Porque sei e acredito.

Acredito que se um dia conseguissem adivinhar e perceber como sou chegariam à mesma conclusão científica e racional que explica, racional e cientificamente os meus porquês.

A conclusão será óbvia e curta.

Mas, decerto fica para outra vez. Porque me dá mais gozo falar com palavras que são o código dos meus segredos, mas são apenas delírios para quem as lê. É quase um conforto.

Quereria dizer-te que o meu mundo é estranho porque o faço. Estranho. Mas tão absurdamente simples, e para que ninguém o perceba complico! Ufa! Um alívio que é mentira mas, reconfortante.

Quereria dizer-te o quão é fácil apreciar a tua maneira de suspirar e o sorriso das tuas feromonas… Quereria dizer-te o quão fácil é ficar inspirada pelo teu jeitinho de adormecer. Dele, memória vã.

É um vento que sopra lá fora e quase desmaio. De uma infelicidade amargurada. Mas doce.

E a pose de anjinho, com um piscar no olho que faz a tentação do teu olhar ser diabólico.

E é chegar à conclusão que quando te apercebes que afinal já não compreendes o que se passa à tua volta e quase imediatamente essa linha de raciocínio tem que se transportar para o facto que também, e assim, afinal não te conheces. Oh, havia tanto que te queria dizer, mas não posso, porque não saberia como.


(Mais uma vez. Obrigada, Jorge.)

13.3.06

Gonçalo

Os dias demoram-se quando a demora das nossas decisões tardam em surgir. Um dia e depois outro e mais outro e não que baste só o pensar no que se poderá fazer. Não basta apenas achar que se tem capacidade para fazer quando é necessário fazê-lo.

As manhãs seguiam-se umas às outras na vida de Gonçalo. Entre festas e aulas e festa e festas, dedicava algum tempo à construção de maquetas complicadas e tema de avaliação nas aulas difíceis, estruturadas ao pensamento abstracto de construir pontos no espaço de modo a não incomodar nenhuma galáxia ou constelação.

Depois de descobrir que não tinha mais leite no fundo do pacote já defunto decidiu que o café da manhã lhe sabia bem melhor no tasco do Sr. Jacinto, junto à estação.

E foi com estas manhãs que o Gonçalo se habituou ao mimo dos pardais no passeio e agora tira-lhes fotos com o telemóvel que é máquina de filmar e de gravar som e de consultar a internet e que também dá para fazer chamadas.

Toma o café, regista o passeio dos animais que esvoaçam à volta dos pedaços de pão que lhes atira uma velhinha de puxo feito no cimo da nuca, escrevinha o nome da miúda que conheceu a noite anterior e lhe fez companhia na madrugada. Puxa o cabelo bem atrás e pronto para mais um dia para a faculdade onde vai se vai sentir derrotado, mais uma vez, por não conseguir acompanhar o raciocínio dos jogos de cartas que os colegas inventam.

Esquece porque é que gosta tanto dos pardais e da senhora que lhes dá pão.

Tinha três anos de idade por fazer e recorda das mãos do avô os passeios que davam no centro da cidade e o que tinha de fugir das pombas que o cobriam quando o avô o cercava de milho tornando-se um isco totalmente acidental das milhares ou só centenas de pombas que caiam atraídas com o som do cereal a bater na calçada escorregando pelo Gonçalo abaixo que só queria era fugir porque as pombas eram muitas. Enquanto isso, o avô ria orgulhoso da estátua de penas agitadas em que se tornara o neto. Deve ser por isso que hoje Gonçalo se fixa nos pequenos pardais que não são tão violentos, mais modestos e pouco rabugentos, assim como a mão doce da velhinha com o puxo no alto da nuca que não alimenta pombas, mas um bando de pardais à solta, como se estivessem em Paris, numa qualquer esplanada sobre o Sena. Com as vozes melódicas da brisa de fim de tarde a anunciar um momento de arte ou sublimação com o chilrear contente dos bandos. À solta. E porque é pão e não milho...


Saudades que tenho tuas.

Palavras que quero tuas.

Avanço sem ver.

Corro sem crer.

Descanso na alma do ar.

Morro sem fôlego.


(Obrigada, Jorge. Pelas fotos que insisto em roubar-te e pô-las aqui.

10.3.06

Cinema Batalha

Isto são boas notícias! Quer dizer... acho eu. É. Não acho. Tenho a certeza! É bom que, uma das mais bonitas casas de espectáculos do Porto, finalmente ganhe um fôlego, vida. Após anos e anos de abandono.
Sempre gostei daquele cinema. Lá, vi os primeiros filmes. Lá, dei a mão ao primeiro namorado. E seja porque razão sempre gostei daquele cinema.

Por isso, agora fico à espera. Da programação. Da remodelação.
De finalmente poder passear naquela zona sem voltas no estômago.

9.3.06

... e aproveito para informar que:

"O Clube Literário do Porto tem a honra de convidar Vª Exª a estar presente na Inauguração da Exposição de Fotografia “Triângulo” de Jorge Garcia Pereira que terá lugar no dia 10 de Março, pelas 21.30 h."
A não perder!

Ahhhh, como muito bem visto por uma leitora atenta , faltou incluir a morada... Acontece, acontece....


É assim: Clube Literário do Porto: Rua Nova da Alfândega, 22. 4050-430 Porto

Passam os dias lustrosos que lhe anunciam chuva.
Ela toca piano, irritantemente.
Hoje o dia será igual, certamente.
E como uma luz que treme à tua chegada
Assim, eu erro, gramaticalmente.





(foto de A.)

Pronto! Está quase!

As mudanças não são significativas. Mas isto leva o seu tempo e tendo em conta que o mandarim é bem mais fácil que o "html" nem está mal de todo!
Agora, devagarinho, vou adicionando os links todos que aqui a Susie gosta e recomenda!
Por isso, tenham paciência...
estamos em remodelações profundas e voltamos assim que for possível! Pelo que apresentamos as nossas sinceras desculpas por qualquer inconveniente!

arrependimento



Chove.
Tremendamente.

8.3.06

Hoje (aparentemente) é O Dia Internacional da Mulher.
Por favor, alguém me explica que raio é que isso quer dizer??

2.3.06



É por causa destas coisas que o Carnaval é uma festa horrível e devia ser proibido!

1.3.06

suspiro (III)



Altero só agora este "post" para o deixar completo e acabadinho. A emoção de receber a foto que o adorna levou-me à precipitação de o deixar vazio mas, não o pude deixar assim. Porque, o amigo fotógrafo é-me muito querido, de longias histórias e recordações. E porque esse meu amigo deu-me notícias bonitas, como um sol anunciado. Parabéns, Mathieu!

(foto por Mathieu Neuforge)

27.2.06



Não sei. A falta que sinto.
Palavras abertas
Escritas e cerradas
Por um frio antigo. E que nunca me falhem
E as mãos e a cabeça.
Às palavras e ao papel.

22.2.06


Desta forma
Espero que venha
a mim.
No branco sem
cor só de branco.
Negro branco que
me cega.
Então adormeço.
Embalada na embalagem
que o branco me trás
Em pó.

17.2.06

suspiro (II)

Para mi corazón basta tu pecho,
para tu libertad bastan mis alas.
Desde mi boca llegará hasta el cielo
lo que estaba dormido sobre tu alma.

Es en ti la ilusión de cada día.
Llegas como el rocío a las corolas.
Socavas el horizonte con tu ausencia.
Eternamente en fuga como la ola.

He dicho que cantabas en el viento
como los pinos y como los mástiles.
Como ellos eres alta y taciturna.
Y entristeces de pronto, como un viaje.

Acogedora como un viejo camino.
Te pueblan ecos y voces nostálgicas.
Yo desperté y a veces emigran y huyen
pájaros que dormían en tu alma.



Veinte poemas de amor
y una canción desesperada
por Pablo Neruda

16.2.06

Isto também é serviço público!

blá blá blá...

muito giro. Gostei!
Ainda bem que o Engº Sócrates aposta tudo no choque tecnológico!
Ainda bem que o Engº Sócrates descobriu 150.000 empregos para atribuir!
Ainda bem que o Engº Sócrates acha que o seu Ministro dos Negócios Estrangeiros anda a fazer tudo bem!

Pena é que as escolas tenham ADSL e não tenham computadores a funcionar(mas podem sempre construir barquinhos com as carcaças dos computadores e passearem-se pelas salas de água inundadas por falta de tectos...)!

Pena é que o desemprego esteja aumentar à velocidade da sua inspiração(não é asmático, pois não, Sr. Engº? Mas também se for já deve ter ouvido das famosas Termas de Jurema. Sempre não corre tantos riscos como a esquiar...)!

Pena é que o Sr. Freitas do Amaral ache que o holocausto nunca existiu(estou a seguir um raciocínio de lógica, muito conhecido como a "Lógica da Batata", retórica muito apreciada e praticada pelo actual executivo!!)mas, deve estar contente com o seu amigo iraniano. Haja alegria!

Pena é que a chacota em que se está a tornar este país não possa ser censurada!E que os nossos políticos não possam ser censurados!
Se a democracia fosse uma cama de rosas a haver diferenças culturais estas resolver-se-iam assim!


"- But all I need is love!"
- humm... You should take a pill or two... "