14.7.06

Há dias em que acordo assim.




...Its getting faster, moving faster now, its getting out of hand, On the tenth floor, down the back stairs, its a no mans land, Lights are flashing, cars are crashing, getting frequent now, Ive got the spirit, lose the feeling, let it out somehow...

(Disorder.Joy Division)

7.7.06

Saiu de casa apressado. Pegou na mala de ferramentas e abalou. Diziam que era bom moço e muito bom trabalhador. Diziam que era amigo de ajudar mas, não falava muito. Era pouco dado à bola e aos copos. Alinhava na malha, de quando em vez. O que gostava mesmo era de ficar sentado na borda do passeio a traulitar canções e a inventar histórias sobre os pássaros. Os pássaros que lhe enchiam a retina e os ouvidos criados numa serra pequenina. Abalou para a fábrica. porque ía muito atrasado. Dizem que adormecera, o que era estranho, porque o rapaz deitava-se cedo. Nem ao café vinha. Só ao Sábado. Dizem que nunca lhe ouviram suspiros pelo totoloto ou pela partida para a cidade. Que gostava muito disto. Que não largava isto por nada. Era um rapaz muito jeitoso. Trabalhador...e humilde, muito humilde. Abalou. De vez. Mas, que não pode ter sido, que algo lhe aconteceu, será que foi assaltado pelo caminho? A Guarda não encontrou nada. Nem a família pode responder porque não sabe. Mas ainda ficou de passar cá a semana passada para me arranjar a porta do galinheiro. E ele nunca faltava. Ai que mundo este, Meu Deus...


(mérci bien, chére Mathieu Neuforge)

30.6.06

Didn´t I?

Under your command
Did I not do well
Was not my record fine

Under your command
Wouldn't I have walked straight through hell
And did I ever look down

Under your command
Didn't I walk naked and cold
Did I spare any pains

Under your command
Wasn't I courageous and bold
Did you ever hear me complain

Under your command
Did my hand ever shake
Didn't I stay cold as ice

Under your command
Did I leave any trace
Was I not great telling lies

Under your command
Was I not true to the cause
Did I not swallow my pride

Under your command
Did I not follow your laws
Did I ever mind


Stina Nordenstam - Dynamite 99

22.6.06


O S. João não me deu nenhum balão.

Levantou-se e foi-se embora.

Deixou-me uma ovelha tresmalhada e pediu-me que olhasse por ela.

Ainda bem que o gato não é alérgico ao pelo.


O S. João pediu-me que não rimasse, por favor.

Acedi-lhe sem cedilha.

Também não gosto de rimas.

E a ovelha bale que se farta e come a comida do gato.


O S. João queimou-se numa brasa muito quente.

Não lhe fiz um curativo.

Deixei que a fogueira amainasse como o vento e ri-me muito na cara dele.

A ovelha não gostou. Mordeu o gato e foi-se embora.

Com o S. João ao colo.

15.6.06



Na pressa esqueço-me.
E passas tão depressa por mim.




(Obrigada, Marco O. És a minha estreia favorita. Outra vez, obrigada!)

13.6.06

Para a minha Barbarella! Porque isto só pode melhorar!




Tenho uma arma secreta
ao serviço das nações.
Não tem carga nem espoleta
mas dispara em linha recta
mais longe que os foguetões.

Não é Júpiter, nem Thor,
nem Snark ou outros que tais.
É coisa muito melhor
que todo o vasto teor
dos Cabos Canaverais.

A potência destinada
às rotações da turbina
não vem da nafta queimada,
nem é de água oxigenada
nem de ergóis de furalina.

Erecta, na noite erguida,
em alerta permanente,
espera o sinal da partida.
Podia chamar-se VIDA.
Chama-se AMOR, simplesmente.

(António Gedeão)

12.6.06

"O poeta é um fingidor" - F. Pessoa

Fingidor: É o trabalhador que exclusiva ou predominantemente imita com tintas madeira ou pedra (definição do Contrato Colectivo de Trabalho para a Indústria da Construção Civil e Obras Públicas)


Afinal, um artista é sempre um artista!

8.6.06

Este blog está absolutamente neurótico. Mas não faz mal.

7.6.06


Historias que contarte a la orilla del crepúsculo,
muñeca triste y dulce, para que no estuvieras triste.
Un cisne, un árbol, algo lejano y alegre.
El tiempo de las uvas, el tiempo maduro y frutal

(excerto retirado de "Veinte poemas de amor y una canción desesperada", por Pablo Neruda)
(Obrigada sempre, Jorge! Fazes magia da magia que reconheces aos alvos da tua objectiva.)


6.6.06

Pergunto-me (II)

Porque raio andam os portugueses malucos com o mundial ou com o euro ou com a taça ou com o campeonato ou com uma liga qualquer?
Mas é assim?
Nada mais interessa?
E não me venham com as merdas do "patriotismo" que eu ainda bato em alguém!
Juro que bato. Fico verde e vermelha e amarela de vergonha a olhar para as bandeiras nas janelas. Triste, não é?
Não é só os governos que temos. São as gentes que somos.
Afinal, não me pergunto só!

5.6.06

Mountains of Madness

(Porque não tenho telemóvel xpto nem máquininha digital..."roubei" a foto daqui!)



Esclarecimento:

The Tiger Lillies, estiveram em Serralves com o espectáculo Mountains of Madness. Música de cabaret no seu melhor! Acompanhados por Alexander Hacke (dos Einstürzende Neubauten) e com a ajuda dos efeitos visuais de Danielle de Picciotto, recriando a atmosfera do escritor gótico H.P. Lovecraft.

Foi magnífico. Puro e simples.


1.6.06

Booo

Voodoo Girl

Her skin is white cloth,
and she's all sewn apart
and she has many colored pins
sticking out of her heart.


She has many different zombies

who are deeply in her trance.
She even has a zombie
who was originally from France.



But she knows she has a curse on her,
a curse she cannot win.
For if someone gets
too close to her,

the pins stick farther in.


(Do senhor Tim Burton e do seu livro "The Melancholy Death of Oyster Boy", imagens incluídas. Só porque me apetece e eu gosto muito!!)

26.5.06

23.5.06

Luxúria





(Pronto, é assim: aceitam-se donativos compram aqui e depois é só enviar ao meu cuidado. Muito obrigada!)

18.5.06

Sr. Jacinto

Jacinto contava com muitos anos de restauração. A simpatia, construída com o tempo e embalar da vida que foram escondendo as dificuldades de há vinte anos, de há trinta, de há tanto tempo que já não se lembra, nem quer lembrar. Hoje a vida está muito bem.

Levanta-se cedinho, dá um beijo à mulher, outro à mãe, que é um doce e chora de cada vez que presencia um acto de bondade, e sai para o café. Há milhares de coisas a tratar. Não é rico nem quer ser. Adora a condição de ter que trabalhar e recebe as contas fixas de telefone, luz e água com um prazer mórbido de quem tem um orgulho escondido por poder pagar.

Há já muitos anos que se dedica a servir cafés curtos ou compridos a senhoras e a senhores. Com jornal ou com cheirinho. Só para começarem a manhã.

Todos os dias, reclama sobre o Sporting com alguém. Elogia o governo, porque é preciso por ordem nisto e com um embaraço separa sempre uns restinhos do almoço para uma cigana de cabelo negro de fome que lhe mendiga uma sopa. Fiado, nunca!

Sente que esta juventude é mais alegre. Gosta de ver os cabelos de cores diferentes. Os brincos deslocados para outros lados do corpo que também é pintado como o dos índios. Só lhes lamenta a falta de crítica. Ai, que não fazem ideia do que é atravessar a fronteira com panfletos comunistas debaixo de dois quilos de roupa. Jacinto nunca o fez. Mas, suspira como quem era obrigado a frequentar a paróquia enquanto os vizinhos heróis eram com bravura torturados por uma PIDE nessa lide habitual. De tempos menos bons mas, com mais moral!

Jacinto suspira debaixo do olhar aquilo que sente ser a sua vida rodeada das outras que rodeiam as suas. Porque ao servir cafés curtos ou pingados torradas ou meias, Jacinto sente-lhes a vida que não pronuncia, porque é naturalmente despercebido. Cheio de vida e de amor de uma vida tão simples.
A seguir a qualquer dia veio um qualquer outro. Mais longo ou mais curto. Depende sempre do ponto de vista da negação.

(Jorginho...já estou a recorrer ao arquivo antigo...manda mais...pleeeease! )

15.5.06

















Adormeço calmamente. Sinto calmamente.
À noite. Que me chegas.
Depois de uma demorada ausência é sempre bom saber que a razão prevalece! Ai, que me dói a barriga de tanto rir!!