"O valor das palavras na poesia é o de nos conduzirem ao ponto onde nos esquecemos delas.O ponto onde nos esquecemos delas é onde nunca mais se pode ter repouso." Natália Correia
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Mário. Rapaz de histórias cheias. Vivências as dele e muito poucas outras. A bondade nasce connosco, só pode. Não se podem ensinar sentimentos de ternura. Não se pode ensinar que a bondade é a que sai do coração e não a que fica bem em bailes de beneficência. O Mário é verdadeiramente verdadeiro. A sua pureza é pura. Verdade. De si. Acho que nunca conheci ninguém assim. Verdadeiramente intocado pelos vícios, incorrompido de humanidade. No entanto, diz ele, frequenta o mesmo mundo do que eu. Como foi possível? Isso pergunto eu! Achava eu, erradamente, que poucos seres humanos me fariam surpresa. O Mário surpreende-me, todos os dias. Afinal, aquilo que é inato e ainda não foi vilmente destruído pelas nossas teias de aranhas predadoras, quando mantido é lindo. O Mário é uma pessoa linda. Não foi o que ele passou que faz dele lindo. Pelo contrário, difícil conceber. Não faço ideia do que as pessoas realmente são capazes. O Mário deveria ser um daqueles casos clássicos de amargura. O seu fel é no entanto mel.
De mansinho, sem o sentir Acolhe-me debaixo de um dos seus braços. Reviro o olhar para não o ver nem o saber. Gosto que me embale devagar, e Tropeçar quando ele me leva. Algo só pode estar mal quando a minha vontade imensa é fugir muito depressa e ir esconder-me agachadinha . E quente. Porque estou com frio. Leva-me aos saltinhos. Traz-me devagarinho. Aos sentidos cobertos De nuvens azuis.Adormeço. Finalmente