7.2.08
Hoje acordei assim.

Procession moves on, the shouting is over
Praise to the glory of loved ones
now gone
Talking aloud as they sit
round their tables
Scattering flowers washed down by the rain
Stood by the gate at the foot of the garden
Watching them pass like clouds in the sky
Try to cry out in the heat of the moment
Possessed by a fury
that burns from inside
Cry like a child though
these years make me older
With children my time
is so wastefully spent
Burden to keep, though their
inner communion
Accept like a curse
an unlucky deal
Laid by the gate at the foot
of the garden
My view stretches out
from the fence to the wall
No words could explain,
no actions determine
Just watching the trees
and the leaves as they fall
(The Eternal -Joy Division)
7.11.07

As Viagens
Antes seja afastado do que já alcancei que o seja daquilo para que vou. A posse é um declínio.
Antes um pássaro a voar que dois na mão. Dois pássaros na mão são o que já não falta. Um pássaro a voar: é ir com os olhos a voar com ele; ir sobre os montes, sobre os rios, sobre os mares; dar a volta ao mundo e continuar; é ter um motivo de viver e é não ter chegado ainda.
31.10.07

Far away from here...
There is no worry after joy
Or away from fear
Far away from here.
Her lips were not very red,
Not her hair quite gold.
Her hands played with rings.
She did not let me hold
Her hands playing with gold.
She is something past,
Far away from pain.
Joy can touch her not, nor hope
Enter her domain,
Neither love in vain.
Perhaps at some day beyond
Shadows and light
She will think of me and make
All me a delight
All away from sight.
20.10.07
Hungary
19.10.07
Szolnok, Hungria

Homens velhos de ares cansados e passos grandes. Foge a força de um tempo que já não é deles.
Mulheres velhas que não esquecem a juventude que já não é delas.
O olhar é sempre altivo. E sem sorrisos.
E muitos, mesmo muitos, sob a sombra de um Baco impronunciável esquecem as glórias bárbaras em que foram falsos heróis. E sempre derrotados. Atiram-se para uma esquina qualquer com melodias roucas do vento seco e esperam as brisas quentes de além.
Para eles já não há esperanças ou credos.
São gárgulas próprios de si atormentados pelas marés do Tirsza.
Os mais novos engolem as novidades do ocidente fazendo para si estes hábitos velhos. Herdam seus males sem terem provado o seu bem. Tudo aqui passa ao seu tempo.
Tentando recuperar o tempo prendido em estátuas que não lhes servem a memória. Porque ninguém é de lá nem de sítio nenhum.
12.9.07
6.9.07
23.8.07
30.7.07
À janela.
A manhã está quente. Da janela ouço carros impacientes.
O gato que se limpa demoradamente.
E tu deixas apenas a sombra dos passos que dás quando atravessas a rua para nunca mais te ver.
Os meus sentidos estão mais apurados. A dor não custa tanto, porque o sorriso é mais valioso.
Deixo-te o meu adeus. À janela.
Em piruetas falsas descobri que o salto está na janela, ao ver-te desaparecer.
O gato mia que tem fome.
O dia foge, como eu fujo todas as noites. Para um sol que é só meu. E à janela, que é um quadro só meu feito de girassóis.
À Carla
25.7.07
Parece-me bem. Um carrinho Português e que ainda por cima não é um utilitário nem sequer um SUV (para quem não sabe significa Sport Utility Vehicle - aprendam que eu não duro sempre!) é sim um maquinão com muitos cavalos e potências e motor que ruge. E é enorme. Gosto porque é giro, porque parece que foi desenhado para o Cars e porque parece que de lá de dentro vai sair o Gastão a qualquer momento!
Não percebo nada de carros mas, parece-me muito bem.
9.7.07
Carros, muitos carros na Boavista

Nunca havia descortinado qual a atracção ou emoção envolvida neste tipo de desporto. Era um grupo de loucos com muito dinheiro a fazer barulho com motores em binários extraordinários e velocidades impensáveis.
Nunca tinha percebido.
No desporto, seja ele futebol, volley ou salto em comprimento há a superação do ser humano de si mesmo. O corpo é o único instrumento. E tentam-se proezas de força e resistência. Percebo.
Nos Karts, Rallys ou Fórmulas, a superação é intelectual e vem sobre a forma de alumínio e injectores e caixas de velocidade reduzidas. O espectáculo não é humano. É mecânico e metálico. Não percebia.
Mas, é de facto espectáculo. Não posso negar. De todo. Como é impensável a superação humana a que o piloto se submete para ser o mais rápido, para ser o melhor. Na sua atenção e destreza. Á mercê de parafusos bem colocados e pneus quentes e temperados. Vi, pela primeira vez. Senti, pela primeira vez, a emoção nos gritos dos motores, no vento da velocidade. E é mágico. Admito.
Afilam-se na grelha, os carrinhos ocos cheios de adrenalina e os motores ensurdecedores, enquanto se aguarda que as luzinhas que são muitas fiquem bem vermelhas e embarcam em voltas de alucínio.
Percebi, junto ao ar salgado de areia da Boavista que é um jogo de emoções assistir a uma corrida. Ao contrário de outras modalidades, assistir desporto automóvel faz saltar arrepios na pele, zumbidos na cabeça que nos vertiginam. Nem sequer imagino o que deve ser praticá-lo.
As milhares de pessoas começaram a romaria ao circuito às 08h00 e compunham o cenário. Homens e mulheres. Passeavam os gelados entre corridas. Cães escovados passeavam os donos cima abaixo em cores de felicidades absolutas num Domingo barulhento.
Os berros descolavam nas ultrapassagens. Nos “toques” e acidentes. Sem feridos. Só com exemplos de força interior, muita, muita. E uma garra esticada à vida.
Agora tenho respeito. Mesmo muito. Mas, é mais fácil, já sei o que é o Pit Lane, e o significado da bandeira azul e hei-de sempre assustar-me com o “ratér”.
21.6.07
The Long Term Physical Effects Are Not Yet Known
E o jazz fica ali já ao lado...
20.6.07
19.6.07
A verdade é que o país inteiro esta imerso numa imensa polémica. Os nossos políticos são polémicos. Os portugueses são polémicos. Portugal está entregue ao estado crónico da polémica! E não parece haver cura.
Se um ministro é ou não engenheiro, se esse ministro é ou não um mentiroso patológico, se na Ota há ou não interesses que se trocam debaixo de um tapete ambiental, se a justiça está ou não a ansiolíticos de futebol, se há ou não moral no português que adora as suas crianças...Nada interessa muito porque não adianta haver investigações porque não há responsabilização. Nenhuma. De alguma forma ou modo. Assim, como é polémica a saúde que não anda bem de saúde, e a educação que não educa e faz passar tempos.
Pena faltar tanto para o Carnaval....
25.5.07
Painting by Elin Pendleton
Se houvesse degraus na terra...
Se houvesse degraus na terra e tivesse anéis o céu,
eu subiria os degraus e aos anéis me prenderia.
No céu podia tecer uma nuvem toda negra.
E que nevasse, e chovesse, e houvesse luz nas montanhas,
e à porta do meu amor o ouro se acumulasse.
Beijei uma boca vermelha e a minha boca tingiu-se,
levei um lenço à boca e o lenço fez-se vermelho.
Fui lavá-lo na ribeira e a água tornou-se rubra,
e a fímbria do mar, e o meio do mar,
e vermelhas se volveram as asas da águia
que desceu para beber,
e metade do sol e a lua inteira se tornaram vermelhas.
Maldito seja quem atirou uma maçã para o outro mundo.
Uma maçã, uma mantilha de ouro e uma espada de prata.
Correram os rapazes à procura da espada,
e as raparigas correram à procura da mantilha,
e correram, correram as crianças à procura da maçã.
Herberto Hélder
15.5.07
Fátima.
Porque as lágrimas e o suor, a dor, o esforço resulta tudo da soma aritmética de um amor que não se explica.
Faz uma oração e expulsa a preguiça. Levanta-se e caminha. Perdida. Mas, não desencontrada. Há no caminho alguém que lhe oferece o braço e um rebuçado doce de açucar. "Isso é fome, minha querida!" E o caminho que é um monte de estrada sorri-lhe agora. Vai ser mais fácil. Agarrada a um braço e uma doçura que não conhece. Os vinte quilómetros que faltam parecem só dez.
Mais à frente há um grupo que canta e ri, outro que extende piadas e ainda outro que ladaínha as preces à volta de um terço. Ao passar por eles todos devolve-lhes o momento de conclusão. E sorri.
Fátima não se explica.
Nos campos, as cores da flor mais frágil contrastam com as estrada cheia de buracos, as casas partidas em muitos pedaços e vidas que foram cheias e agora estão vazias. E a paisagem muda, e nunca é a mesma e nunca se esquece. Apenas se confunde.
E são dias de madrugadas que demoram a terminar.
E no fim, mesmo no fim, na meta que se cruza é a paz que invade o cansaço e as lágrimas são de um beijo. "Obrigada, Mãe!".
E aí olha para trás. De agradecimento. De espanto. "Já terminou!?".
Já não tem os pés ligados. Já não tem dores no corpo. Tem a alma completa de um amor que não se explica. Porque Fátima mora acima das críticas, das opiniões, dos olhares. Reside em quem lá vai. Sem explicações.
24.4.07
Parabéns, Maiinha!
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De àrvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.
Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.
Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.
Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.
Ricardo Reis






