15.5.07

Fátima.

De pés ligados , as mãos na cara vermelha de esforço. Ao lado, na garrafa de água vazia e apertada não cabem as lágrimas que ficam na berma da estrada. Espera o monte que falta subir. A três dias do destino, do fim, que é na verdade um princípio. E continuam a passar por ela gritos de apoio e camiões que sorriem e o sol que não perdoa. É o barulho da peregrinação que se intromete nos silêncios de alma de quem não reconhece na estrada o sacríficio tão grande da vida.

Porque as lágrimas e o suor, a dor, o esforço resulta tudo da soma aritmética de um amor que não se explica.

Faz uma oração e expulsa a preguiça. Levanta-se e caminha. Perdida. Mas, não desencontrada. Há no caminho alguém que lhe oferece o braço e um rebuçado doce de açucar. "Isso é fome, minha querida!" E o caminho que é um monte de estrada sorri-lhe agora. Vai ser mais fácil. Agarrada a um braço e uma doçura que não conhece. Os vinte quilómetros que faltam parecem só dez.

Mais à frente há um grupo que canta e ri, outro que extende piadas e ainda outro que ladaínha as preces à volta de um terço. Ao passar por eles todos devolve-lhes o momento de conclusão. E sorri.

Fátima não se explica.

Nos campos, as cores da flor mais frágil contrastam com as estrada cheia de buracos, as casas partidas em muitos pedaços e vidas que foram cheias e agora estão vazias. E a paisagem muda, e nunca é a mesma e nunca se esquece. Apenas se confunde.

E são dias de madrugadas que demoram a terminar.

E no fim, mesmo no fim, na meta que se cruza é a paz que invade o cansaço e as lágrimas são de um beijo. "Obrigada, Mãe!".
E aí olha para trás. De agradecimento. De espanto. "Já terminou!?".

Já não tem os pés ligados. Já não tem dores no corpo. Tem a alma completa de um amor que não se explica. Porque Fátima mora acima das críticas, das opiniões, dos olhares. Reside em quem lá vai. Sem explicações.



24.4.07

Parabéns, Maiinha!

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De àrvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Ricardo Reis

19.4.07

Oh, senhor....




Demita-se, por favor.
Muito obrigada.

9.4.07





A estrada ensina. Seja de pedras. Seja de pedra.
Aqui respiramos ar que é só ar. Vento que é ar. E chuva em forma de brisa.
Fomos doze. Ala que se faz tarde. E a manhã entardeceu em risos e dores nos pés e dores nas pernas. Mas a estrada ensina. O caminho que fizemos. O que ficou por fazer. Aquele que prometemos vir a fazer. Respirou-se na Serra da Freita. Sem complexos.


4.4.07

Este blog anda a passar uma fase difícil. É por estar na adolescência... Nunca sabe o que há-de vestir. Enfim, é esperar que passe!

3.4.07

Sítios onde ainda se pode respirar!

Vila Chã. Fim de Verão, 2006.


(Telinhos, não me digas que nunca viste disto por lá!?)

28.3.07

You fool!

(By Peter Zentjens)

Fairy tales
In my dreams. go further.
Or just forget.

Fairy dreams
In those tales. I can
Listen to distant voices.

Are you for real?

27.3.07

Uma história sem fim é um teatro de mentiras. Sem verdades e sem enganos.
As sombras são reais e os sóis
Luzes puras de néon.
As alegrias são lágrimas as lágrimas um sorriso abafado.
Por trás das cortinas jazem olhares e contas feitas.
Bom dia, teatro.

21.3.07

(Botticeli. Primavera. 1482)


Sempre considerei a Primavera o início do ano. Para mim, o ano começa idealmente com a entrada da Primavera. Ficou para trás o resto do ano passado. Inverno de cheiro a ano expirado.
Por isso se renovam as penas dos pássaros, os pelos dos gatos e as promessas de Verão.

E as esperanças. Que são tantas....


16.3.07

Tinny

Tens o sorriso dos ventos e a paciência dos tempos.
Tempos esses lá ao longe
bem longe
das palavras das àrvores completa de risos despertos e dispersos.

Que nunca perdeste.

Tens o amor de uma rocha antiga
A ciência dos pensamentos.

Psi não de vinte mas Psi de alma doce e sem fel.

És força inspirada na lágrima que te falta berrar.
És o mundo no teu coração.

e ADORO-TE e agradeço-te.

Parabéns, (oficialmente é hoje e isto é um blog oficial!) minha Tinny Minny!

12.3.07















(Foto por Robert N. Vary)


Já te disse mil vezes que não sei.
Já te berrei outras quinhentas que não podia saber.
Já desesperei por não te poder responder.
Tiras o espaço ao meu tempo.

Navego perdido nas paredes sujas do autocarro. Que nem sei para onde vai.
Só quero fugir de ti.
Só quero deixar de saber.
Onde morres, meu amor?


23.2.07

Breve "poema" de um João cheio de pressa

O João entrou a correr naquela esquina manhosa. Meteu a culpa num bolso e correu correu muito.
Não te atrases. Não te distraias com nada. Não pares. Não pares. Não pares.

As pernas pareciam longas enquanto corria pela vida, corria pela vida, corria pela vida, descorria na via. Via não longa atrás da esquina manhosa. Com culpas no bolso e um rio vivo de suor no rosto. Corria.
Para não perder amanhãs, ontens desperdiçados e só podia correr de atraso para a vida que levou carregada de culpas presas ao bolso do casaco desalinhado das curvas da vida.

A esquina que afinal não era manhosa findou tanta correria. Não era manhosa, era honesta de fins de vida.




Parabéns, meu querido.

Adoro-te. Adoro-te. Adoro-te. Adoro-te. Adoro-te. Adoro-te. Adoro-te. Adoro-te. Adoro-te. Adoro-te. Adoro-te. Adoro-te. Adoro-te. Adoro-te. Adoro-te. Adoro-te. Adoro-te. Adoro-te. Adoro-te.
Mil vezes infinito. Volta depressa.

6.2.07

Pela última vez...Referendo? Não, obrigada!

A minha consciência impede-me de ir às urnas no próximo dia 11 de Fevereiro! A minha consciência impede-me de decidir aquilo que não quero que ninguém decida por mim.
Não confiro legitimidade a ninguém para decidir por mim uma matéria tão pessoal.
Nem sequer percebo as razões que levaram à concretização deste referendo! Se o governo fez campanha eleitoral a prometer mudar o estado das coisas que o faça, sem mais.
Por mui bons argumentos a favor ou contra, se é vida ou não é, essa discussão que é tão teológica como o aparecimento da galinha e do ovo só interessa num único momento: aquele em que uma mulher se vê numa situação de gravidez indesejada. Porque nem sequer imagino o drama tão pessoal e tão único que se dá todos os dias.

1.2.07

Terrible Angels



If every angel's terrible
Then why do you welcome them
If every angel's terrible
Then why do you welcome them
If every angel's terrible
Then why do you welcome them
You provide the birdbath
I provide the skin
And bathing in the moonlight
I'm to tremble like a kitten
If blue eyed babes
Raised as hitler's little brides and sons
They got angelic tendencies
Like some boys tend to act like queens
Oh if every angel's terrible
Then why do you watch her sleep
You love to hear her sing
And wear purple eyes like rings
Well the flowers have no scent
And the child's been miscarried
Oh every angel's terrible
Said freud and rilke all the same
Rimbaud never paid them no mind
But jimmi morrison had his elevators
His elevators
He had his elevator angels
If every angel's terrible
Why do you hide inside her
Like a child in a skirt
The supermarket's loud and bright
And boy don't she feel warm tonight
Boy don't she feel warm tonight
Boy don't she feel warm tonight
If every angel's terrible...


Cocorosie - La maison de mon rêve - 2004

26.1.07




Aqui a tia Susie está cansada. Cansada das mesmas coisas. Do aborto ou não aborto. De sentenças justas ou não justas. De vôos ilegais ou não ilegais. A discussão anda sempre à volta do mesmo e nunca se ganha nada. Só porque, de facto, a manipulação da opinião pública é quem realmente manda em Portugal. Há muito. E por vontade ou sem vontade dos sucessivos governantes. A manipulação faz ganhar e perder eleições. Controla os nossos sentimentos por causas "alegadamente" públicas ou pessoais e transformadas em circos. Mas isto não é novo nem novidade. Mas é deveras cansativo!

25.1.07

Fantasia

Foi no imaginário que te criei.
Foi na névoa do que sinto que te deixei.
Amareleces sorrisos com o teu choro.
E não me perdoas.
Nem em abandono.
É agora na esperança caída
Que me levo e me elevo. Perdida?

12.1.07

João

As flores não sabem os segredos ideais. Como as nuvens não cantam coros de chuvas sábias. Os segredos do mundo guardamos no coração. Só os sentimos.

Plural em vez de singular. Como fé em vez de solidão.

Como diz a canção,
I've been waiting for a guide to come and take me by the hand.
Could these sensations make me feel the pleasures of a normal man.
New sensations bear the innocence, leave them for another day.
I've got the spirit, lose the feeling, take the shock away. joy division. disorder

E suspira-se. Como se o céu terminasse amanhã. Como se a alma se desencantasse.

Faz boa viagem e sê muito feliz.

Parabéns



À Rosa (minha sinhá favorita) .



Ao Venturinha (o menino dança?).

8.1.07

www.fangoria.es


foi na casa da música. no sábado. e foi giro. como são sempre os freak shows.